segunda-feira, 7 de novembro de 2016

yWriter: um software sensacional para criadores de histórias

Só quem escreve uma história sabe o quão complicado é organizar um sem fim de informações para fazer com que tudo seja coerente: personagens e suas origens, lugares, pontos-chave, itens, acontecimentos... Se eu continuar a lista aqui ficará enorme, mas vocês entenderam onde quero chegar.
Já crio roteiros para jogos homebrew há algum tempo, e escrevo contos desde minha adolescência. Sempre paro quando a história vai ficando mais complexa, justamente porque é um inferno lembrar de tudo o que aconteceu até ali e quais pontos eu tenho que conectar. Não significa que eu não tenho mapas criados em cadernos, mas conforme a bagunça vai aumentando fica quase impossível organizar tudo em meros documentos criados em algum editor de texto por aí.

Certo dia parei para analisar minha nuvem pessoal e vi que havia muuuuitas pastas contendo inúmeros arquivos, como listas de personagens, acontecimentos e etc. Comecei então a buscar algum software que me auxiliasse a colocar tudo isso em seus devidos lugares, e encontrei yWriter. Ele é voltado para escritores e possibilita organizar a enorme bagunça que é a criação de histórias.
Com diversas abas ele tem seções que permitem dividir a história por capítulos e encaixar as cenas de cada capítulo. Há também as abas de personagens, localidades, itens e notas. O visual não é cheio de ícones e firulas gráficas que tornam o programa mais bonito, muito pelo contrário: ele é simples e minimalista.



Ser minimalista é uma característica muito positiva, evitando que o escritor se distraia com alguma funcionalidade no decorrer da história, e possa puxar algum fato de forma rápida, já que pode organizar tudo por cenas dentro dos capítulos, e cada seção tem a sua devida aba.

Tem me ajudado bastante a construir o mundo das Crônicas Mitty e deixar tudo coerente. E sabe qual a melhor parte? O yWriter é grátis! Ele está em sua quinta versão e pode ser baixado clicando aqui.

Se você planeja começar a escrever e quer se organizar, definitivamente o yWriter pode te dar aquela mão na roda.

Volta em breve: Crônicas Mitty

Há algum tempo decidi trazer ao blog uma criação original minha, que é o conto Crônicas Mitty. Infelizmente 2016 foi um ano bem turbulento, o que me impossibilitou ter tempo livre para dedicar à publicação, que acabou esquecida.

Passado o período eleitoral as águas do mar ficaram mais calmas, porém temos o fim de ano chegando por aí e uma série de outras coisas que podem novamente sugar esse tempo extra. Por isso decidi dar uma revisada no prólogo das Crônicas e atualizar tanto ele quanto o primeiro capítulo, ambos já publicados.

Andei fazendo umas pesquisas e aproveitei para organizar minhas ideias, tirando elas do meu velho caderno de anotações e jogando em um programa construído justamente para criar histórias (logo vou fazer uma postagem sobre ele por aqui, pra contar como está sendo a experiência). Como estou organizando todas as coisas relacionadas ao enredo principal e seus desdobramentos tomei a liberdade de dar uma pausa no processo de publicação (que estava parado anteriormente por conta da correria, aliás) e, assim que tiver algumas coisas bem definidas e organizadas, voltarei a postar no blog, então esta postagem já é meio que um aviso deixando claro que a história voltará dentro de algumas semanas.

Aliás, se tudo correr como planejado irei começar a publicar as Crônicas também em alguns sites voltados para escritores.


Aproveitando a oportunidade, dei um tapa no visual do blog. Apliquei um design responsivo e minimalista. Como passo a maior parte do tempo acessando as coisas por smartphone e essa é a realidade de muitas pessoas, achei por bem usar um layout que não pese nos dados móveis nem utilize tanta memória. Espero que a experiência seja agradável. No mais, aguardem novidades vindo por aí!

Como é usar o iPhone 4 em 2016

Se tem algo sobre o que gosto de escrever é minha experiência com eletrônicos, sejam eles consoles, computadores, celulares e afins. No finado Sleopand vez ou outra fazia uma postagem do gênero, principalmente no início do blog e, devido a alguns acontecimentos recentes, decidi escrever esse tipo de situação aqui no Multiverso Convergente.


Pra começo de conversa, o título da postagem é totalmente verídico: estou utilizando um iPhone 4 em pleno ano de 2016 (e possivelmente ele continuará ao meu lado em 2017 e também em 2018, haha).
E o que me levou a adquirir um smartphone que foi lançado em 2010? Primeiramente a necessidade. Eu (ainda) tenho um Moto E 1ª Geração que comprei em 2014. Apesar das limitações de memória interna é um excelente aparelho que vinha me acompanhando desde então. Infelizmente eu tive alguns problemas com ele no começo de 2016: parte da tela meio que ‘queimou’, ficando com uma tonalidade amarelada, fora que o slot do primeiro chip começou a ejetar o SIMCard a cada cinco minutos. Até aí tudo ok, ‘dava pra levar’. Depois de um tempo, no entanto, a bateria dele começou a dar sinais de cansaço e o meu velho de guerra desligava sempre que o indicador chegava em 60% ou 50%.

Dadas essas condições ficou claro que eu precisava de um aparelho novo, e a empresa em que trabalho tinha um iPhone 4 praticamente zerado em uma gaveta aleatória, então fiz um acordo com meu chefe e apliquei meu banco de horas na ‘compra’ do aparelho. À época eu achei um baita lucro, porque não tive que gastar um puto pra pegar o tão desejado iPhone. E eu ainda acho que foi lucrativo, dadas as devidas proporções e levando em conta que nenhum aparelho acima de R$ 400 se encaixa no meu orçamento atualmente.

Como é a experiência de uso no geral

A primeira diferença que eu senti quando peguei o iPhone 4 foi por conta da interface, obviamente. Pra quem é acostumado com Android inicialmente é tudo uma loucura: a loja de aplicativos, a tela inicial, as configurações... Milhares de coisas pra se mexer!

Eu achei o conceito do iOS de tela inicial bem bacana, pois tudo fica em uma tela só e você joga em pastas pra organizar. No meu caso, traumatizado pela falta de espaço no aparelho anterior, instalei bem pouca coisa: WhatsApp, Messenger, alguns emuladores (falarei sobre isso mais abaixo), uns tweaks e também Clash Royale e Clash Of Clans. Como meu aparelho tem agora 16GB de espaço coube bem. O que dificulta é a RAM, de apenas 512MB, que acaba engasgando em algumas situações.

No geral eu percebi que quase não existem apps que podem ser instalados no celular. Alguns dos mais populares até estão disponíveis, mas a maioria dos novos joguinhos ou comunicadores instantâneos já não dão suporte ao iOS 7. Há um motivo totalmente plausível para isso: com pouca memória RAM os aplicativos pesam demais. O WhatsApp, por exemplo, não funciona em segundo plano. Toda vez que eu quero saber se tem algo novo tenho que abrir o aplicativo e esperar ele carregar as mensagens que chegaram.

Aliás, eu tive que fazer jailbreak no sistema, por alguns motivos também óbvios, sendo eles: 1) o WhatsApp Web só é habilitado através de um tweak (por sinal quando eu quero usar o WhatsApp no computador tenho que deixar ele aberto no telefone, pois, como eu disse acima, parece que o segundo plano dele não funciona como deveria); 2) por algum motivo o iOS só foi ganhar a diferenciação visual entre maiúsculas e minúsculas no teclado há algumas versões, então digitar em um teclado que mostrava tudo maiúsculo era enlouquecedor; 3) como o sistema não tem mais suporte eu me senti livre para tal. Eu sei que existe toda essa conversa de que jailbreak é ilegal e há muita insegurança, blá, blá blá, mas não liguei muito. Sinceramente achei que o sistema é muito fechado, então abrir a jaula amenizou um pouco o problema pra ter acesso aos meus emuladores.

Por falar em emuladores, foi uma experiência estressante utilizá-los. Como instalei aqueles não nativos e obtidos de forma gratuita através da Cydia, tive alguns problemas como roms que não foram reconhecidas devidamente e etc. Tem um emulador muito bom chamado RetroArch, que é compatível com quase todos os consoles antigos, que eu recomendo bastante, mas mesmo ele me deu dor de cabeça e não funcionou quando fiquem sem acesso à rede.  O que me desanimou um pouco de continuar jogando neles foi o tamanho da tela, que não favorece muito.

E, apesar do iPhone 4 não contar com muitos aplicativos disponíveis atualmente, ainda há algumas coisas que são mão na roda: o aplicativo Podcasts, da Apple mesmo, é excelente para gerenciamento de podcasts e o Books também funciona maravilhosamente bem. Levei um tempo até migrar toda a minha biblioteca pessoal, mas me adaptei bem.

No mais a experiência de uso não é de todo ruim. Eu entendo que é um telefone de 2010 funcionando bem ainda em 2016. Ele tem suas muitas limitações, claro, mas nada que me deixe tão frustrado, pois entendo que se trata de um celular defasado, só que ainda cumpre o que prometia quando foi lançado
.
Hardware

Agora que eu contei que o sistema não é lá grande coisa vamos falar do principal fator que joga na cara o fato do iPhone 4 ter saído fora de linha há anos: o hardware. A bateria não é lá grande coisa. Ela dura semanas em standby (dura mesmo, disso não tenho o que reclamar), mas em uso intenso ela vai pedir aquela ida marota pra tomada a cada duas horas. Nesse ponto é algo que não me preocupa tanto mais, pois, apesar de ter que executar tarefas em que eu tenho de ir a campo, passo a maior parte do dia em uma mesa e com o telefone plugado para receber carga. Ah, e 3G aqui é algo que vai sugar a bateria de forma mais rápida do que o WiFi.

Já a câmera ainda dá pro gasto. Vindo de alguém que usava um aparelho sem flash e com resolução mínima, a câmera do iPhone 4 é sensacional. Até mesmo a frontal ainda permite umas fotos bacanas em determinadas situações onde o cenário ajuda bastante o fotógrafo. Aqui não há do que reclamar, porque uso ela em algumas coisas bem pontuais.

Situações como o desempenho geral por conta do hardware eu já citei alguns parágrafos acima, mas cabe ressaltar que está dentro do esperado.

Por falar nisso, o único ponto que me incomoda em toda a construção do aparelho é o frágil botão Home. Ele funcionou bem durante um tempo mas volta e meia dá problema. Pelo que eu li é algo característico desse modelo, mas vale a pena deixar clara essa questão.

Conclusão

No mais, não é como se estivesse recomendando a compra do iPhone 4 em pleno 2016. Longe disso: se você tem a oportunidade pegue algum aparelho mais atual, acima dos R$ 600 de preferência.


Como falei, estou usando este celular justamente por conta da necessidade e também outras prioridades que tem mais urgência, afinal, enquanto ele mandar mensagens e receber ligações ainda está valendo. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

[Clash Royale] Dicas do Tio RD – Devo continuar jogando quando chegar na Lendária?

Hoje vou dar continuidade às postagens voltadas ao jogo Clash Royale. Já publiquei aqui uma série de guias a respeito de deck building e, sempre que tiver a oportunidade, continuarei escrevendo sobre o jogo. Como sou líder de um clã, faço diversas postagens voltadas aos membros, e acho bacana trazer esse conteúdo para o blog também, visando atingir a quem interessar possa. O conteúdo geralmente é feito com base em conhecimentos que obtive no jogo e também algumas coisas que acompanho nos fóruns do reddit. Até criei ali na lateral uma seção voltada à Família Borró, que é o clã que gerencio. Enfim, espero que as linhas a seguir possam ser úteis!

Aaah, a arena mais cobiçada do jogo todo, a Lendária!

Hoje quero falar sobre um dos maiores erros cometidos por jogadores que adquirem o título de “Lendário”: parar de jogar. Quando se chega à Arena Lendária bate aquela linda sensação de saber que o shop, mais cedo ou mais tarde, finalmente vai te apresentar uma carta lendária. Então do nada você vai começar a juntar gold pra comprar aquela carta tão esperada. Entretanto, você acredita que pode cair da Arena Lendária e não ficar tempo suficiente para comprar sua carta favorita. Aí você para de jogar e começa a poupar ouro, 40 mil pra ser mais exato. Esse é um erro comum que muitos jogadores cometem ao chegar na Arena 9. Quero dizer a vocês pra não fazer isso, e vou explicar o motivo.

No jogo você tem 7 fontes de ouro, sendo Baús Grátis, Doações, Torneios, Vitórias, Baús de Prata, Baús de Ouro e Baús da Coroa (Claro, ainda há os especiais, como GG, Mágico e Super Mágico, que podem aparecer no percurso). Se você parar de jogar e tentar poupar gold pra comprar determinada carta, está deixando de lado quatro fontes de ouro, ou seja, vai obter gold apenas das doações, de torneios e baús grátis.

Além disso você também tem seis maneiras de obter novas cartas sem gastar dinheiro, que são os Baús Grátis, Pedidos, Torneios, Baús de Prata, Baús de Ouro e Baús da Coroa. Se você parar de jogar vai perder metade dos meios de se obter novas cartas.

Então, vamos dizer que você parou de jogar agora e vai tentar guardar gold, sendo que a maioria do que obtiver virá de doações. Quando você doa, obviamente vai perder cartas. Então vamos supor que você doe 240 cartas por dia, abra seis baús grátis, vença dois torneios de 30 cartas e faça pedidos três vezes por dia. Mesmo assim você teria prejuízo de 90 cartas por dia por conta das doações. Entretanto, você ganharia aproximadamente 2000 ouro por dia.

Imagina só abrir a loja e a tão sonhada Princesa estar lá? Pode acontecer, mas custa MUITO gold


Uma carta lendária custa 40000, então se você obtiver 2000 por dia iria levar quase um mês pra pegar essa quantia. Na verdade levaria 20 dias, pra ser mais exato. Em 20 dias você perderia 1800 cartas. Bom, vendo essa estatística você definitivamente deveria considerar não parar de jogar.

Agora vamos comparar as estatísticas com as de quem continua jogando diariamente. Em 20 dias, se você continuar jogando normalmente, vai obter a mesma quantidade de ouro das fontes que citei anteriormente, mais os bônus de vitória e dos baús de Prata, Ouro e Coroa. A média é de que o jogador pode conseguir 3500 gold por dia se continuar jogando. Ainda tem um extra, porque você vai ganhar 79 cartas diariamente (mesmo contando suas doações).

Deu pra entender?  Se você continuar jogando, vai conseguir aproximadamente 1500 gold extra e 169 cartas a mais do que se parar de jogar. Em 20 dias a diferença é brutal, ainda mais na Arena Lendária. Você teria, em média, 30000 gold e 3300 cartas a mais se continuar jogando.

Então… A sua carta lendária vale perder tudo isso? Acredito que não.

PS: Sim, eu sei que dá medo de cair se você continuar batalhando na ladder mas, hey, se você conseguiu subir de arena uma vez, conseguirá novamente, não é mesmo? Eu lutei duro pra juntar 40k e comprar o Mago de Gelo na loja, mas não parei de jogar. Ainda hoje continuo, mesmo que me dedique cada vez mais aos torneios. Pelo menos jogo pra conseguir baús e ter essa fonte de ouro diariamente, o que tem feito uma diferença absurda, diga-se de passagem.


PS2: Se você continuar jogando ao alcançar a Arena Lendária, continuará ciclando seus baús, e tem chances de conseguir um Baú Gigante, Mágico ou Super Mágico. Na última arena do jogo a chance de obter lendárias nesses baús é muito maior, então realmente compensa continuar ativo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

[Clash Royale] Guia do Tio RD para o “Deck Perfeito” – Parte Final

Nos posts anteriores, passei a vocês um pouco do conhecimento que tenho a respeito da construção de decks no Clash Royale. Apesar de tudo, creio que nem todos tenham conseguido montar uma estratégia eficaz (ainda mais quem decidiu apostar na ‘fórmula mágica’ de duas construções, duas condicionais de vitória, dois feitiços e duas cartas defensivas, sem ver primeiro se isso realmente condiz com o estilo de jogo que adotam), por isso já havia pensado nessa terceira parte como uma forma de ajuda-los a lapidar seu modus operandi.

• Primeiramente você tem que entender o conceito de troca de elixir, que é o principal fator do porque os jogadores perdem. Que cada carta colocada na arena tem um custo você provavelmente já deve saber, mas a troca ainda deve ser um conceito abstrato.

Vou tentar exemplificar para tornar mais fácil: a minha forma de jogar no Clash Royale é defensiva. Sempre espero o jogador adversário fazer um movimento para depois mandar o meu contra-ataque. Há algumas partidas interessantes em que enfrento pessoas parecidas, e nada acontece durante mais ou menos um minuto, ou até que um dos dois decida tomar alguma atitude. Na maioria dos casos eu analiso a jogada alheia para estar atento a essa troca. Se alguém joga uma Horda de Servos, por exemplo, eu coloco em campo meus Espíritos de Fogo. Quando eles alcançam os Servos, geralmente acabam derrotando a horda toda.

Nesse caso específico meu adversário gastou cinco de elixir, enquanto eu gastei apenas dois pra combater o ataque dele. Nesse caso ele tem cinco de elixir sobrando, enquanto eu ainda vou ter oito para contra-atacar, então meu adversário deve pensar duas vezes antes de fazer o próximo movimento ou vai acabar tomando dano considerável.

Muitas pessoas já usaram esse conceito contra minha pessoa em partidas. Quando jogo a Bruxa em campo, meu adversário espera até o momento certo e joga a Valquíria que, custando apenas quatro de elixir, elimina minha Bruxa e ainda sobrevive.

Isso é, basicamente, a troca de elixir. É o principal ponto para a vitória no jogo, pois quando o adversário faz uma jogada errada e você tem elixir de sobra, a quantidade que cada um possui vai definir o próximo movimento. No exemplo anterior, a Valquíria sobrevivendo ainda pode ser combada com um Corredor, e aí possivelmente não teria elixir suficiente em tempo hábil para mandar uma resposta.

A essa altura do campeonato, se você já chegou à Arena 5 ou 6, possivelmente entende bem como funciona a troca de elixir. E se não entende ainda, está na hora de começar a aplicar esse conceito para continuar vencendo.

• Outra coisa importante: se for jogar defensivamente, espere o adversário chegar ao seu lado da arena. Se ficar jogando tropas desenfreadamente na ponte vai continuar perdendo, ainda mais se não parar pra pensar no elixir que está gastando. Já vi gente jogando Mini P.E.K.K.A. e Príncipe ao mesmo tempo para counterar um Gigante Real na ponte. Um custo absurdo de elixir e que ainda terminou em desvantagem para o defensor, pois ele teve de lidar com o reforço que vinha atrás do Gigante Real, e ainda na lado adversário.

• Faça uma combinação coerente: eu sempre defendi que é bacana jogar com as cartas que eu gosto, e o mesmo vale para todos os jogadores. Mas outra coisa que destaco é a necessidade de se fazer combinações viáveis. Um deck apenas com cartinhas baratas, por exemplo, pode até funcionar em duas ou três partidas, mas não vai muito longe. Quando estava começando montei um deck com custo médio de 2.8 elixir. Depois investi em uma combinação de 5.0 de custo, e acabei não obtendo muito sucesso. Quando se vai mais longe e o Coletor de Elixir entra no jogo até se torna viável, mas ainda assim é pesado. Então fica a dica para construir uma combinação viável e que não estoure o custo de 4.1 elixir.

Enfim, essa última parte foi mais para essas pequenas dicas, e a minha consideração final é que você se divirta jogando. Muitos dão fórmulas mágicas pra subir de arena, ou indicam que se deve jogar apenas pra completar baús e/ou fazer o Baú da Coroa. Já eu considero extremamente válido batalhar e testar diversos decks, pois só assim você vai chegar no deck que for perfeito para o seu estilo de jogo.
Hoje sou o feliz usuário de um deck com custo médio de 3.5 elixir. Às vezes eu ganho sem perder uma torre, em outras partidas eu tomo uma surra de ter a cara esfregada no chão. O Trifecta é meu maior pesadelo até hoje, mas mesmo assim não desisti do meu deck e estou batendo na porta da lendária.


Enfim, com isso eu concluo minha série de postagens voltadas ao clã da Família Borró no Clash Royale. A partir daqui vou continuar postando alguns guias pelo Multiverso Convergente, e ainda pretendo fazer análises de decks em vídeo no canal.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

[Clash Royale] Guia do Tio RD para o “Deck Perfeito” – Parte 2 – Condições de Vitória

Na primeira parte do guia eu tratei sobre quais os principais tipos de deck e citei as chamadas condições de vitória. Mas o que de fato são elas? Muita gente se faz essa pergunta no começo do jogo, e quanto mais cedo você desvendar isso, melhor.


A condição de vitória é basicamente a carta (ou as cartas) que vai te fazer derrubar a torre adversária. Quando você define o seu tipo de deck tem de começar a pensar em qual será a sua condição de vitória.

Em um deck do tipo Cycle, por exemplo, geralmente a condição de vitória é o Corredor, ou o Mineiro. Todas as outras cartas são colocadas em campo para fazer com que o Corredor alcance e derrube a torre adversária. Depois de entender qual a sua condição de vitória chega a hora de pensar nas outras cartas. TODAS as cartas do seu deck devem ter utilidade em campo. Se considerar qualquer uma delas descartável, você está fadado ao fracasso na maioria das vezes.

Vou exemplificar o que disse acima destrinchando o deck Trifecta. Ele geralmente é composto de: Corredor, Valquíria, Mosqueteira, Coletor de Elixir, Esqueletos, Veneno, Canhão e Choque.
Eita deck piruleta!

O Canhão é utilizado de forma defensiva, quase sempre sendo a primeira carta colocada em campo. Ele serve para chamar a atenção das tropas adversárias, como outros Corredores, ou mesmo o Gigante, enquanto sua torre e outras tropas fazem o trabalho pesado.

O Coletor de Elixir serve para dar uma vantagem de elixir conforme a partida vai evoluindo. Notem que ele tem papel duplo: conceder a vantagem de elixir e também incitar o oponente a atacar de longa distância usando Bola de Fogo/Foguete. Como se trata de um deck barato, o Coletor seria dispensável (tanto é que em algumas variações do Trifecta ele nem é usado), mas ele serve muitas vezes de isca para ameaças que poderiam derrubar outras tropas do deck.

A Mosqueteira quase sempre é colocada atrás da torre. Aliadas, as duas servem para derrubar qualquer ataque que parta para cima da torre. 

A Valquíra geralmente é jogada na defesa e, quando sobrevive e chega à ponte, colocamos o Corredor atrás dela, para que ela seja utilizada no ataque e limpe defesas como Bárbaros, Goblins, Esqueletos e outras unidades baratas.

O Veneno é estrategicamente colocado em campo para enfraquecer as unidades alheias. Ele pode ser utilizado de forma ofensiva, fazendo com que o adversário fique sem defesas, ou defensiva, destruindo uma investida poderosa com apenas 4 de elixir. 

O Choque (Zap) é comprovadamente uma das cartas mais usadas no Clash Royale. Por apenas dois de elixir você tem uma unidade que elimina Goblins, Esqueletos e outras ameaças, e além disso paralisa temporariamente outras unidades por alguns milésimos de segundos, o que, em certas batalhas, pode ser o principal auxiliador na vitória.

Já os Esqueletos tem duas funções principais: ‘girar’ o deck, fazendo com que você possa ‘ciclar’ e obter outras cartas de forma mais rápida, e também distrair unidades poderosas e com grande poder de fogo. 

O Corredor aqui é a condição de vitória. Quando suas tropas sobrevivem a um ataque e sobem em direção à defesa adversária, colocar ele na formação faz com que seu oponente trema na base e fique sem reação.

Bacana, né? Quando você para e pensa, a formação Trifecta parece funcionar bem até mesmo sem o Corredor. E funciona. Eu já usei esse deck e substituí o Corredor pelo Gigante, e deu certo. A grande sacada do Corredor é que ele custa apenas quatro de elixir e se move muito rapidamente, o que faz com que se encaixe perfeitamente nessa combinação.

Com essa formação em mente você pode começar a pensar no seu deck. Durante muito tempo trabalhei com duas condições de vitória, sendo elas o Gigante Esqueleto e o Gigante.

Certa vez enquanto navegava por tópicos competitivos no reddit eu li que um deck harmonioso seria composto da seguinte forma:
Duas cartas de feitiços
Duas construções
Duas tropas de defesa
Duas condições de vitória

Nem sempre funciona dessa forma. Por exemplo, o deck Trifecta tem uma condição de vitória, um feitiço, uma construção e várias unidades que são usadas para rodar o deck. Sempre tenha em mente então duas coisas: o seu tipo de deck e a condição de vitória que quer usar.

Eu, por exemplo, subi usando um deck do tipo beatdown. Minha formação principal é composta por Bruxa, Bombardeiro, Cavaleiro, Choque, Coletor de Elixir, Servos, Espíritos de Fogo e Gigante. Todas as minhas cartas giram em torno da defesa, desde o Coletor de Elixir até a Bruxa. Primeiro foco em segurar o ataque alheio e, quando minhas tropas sobrevivem, coloco o Gigante na frente delas e contra-ataco. Assim todas as minhas tropas ficam responsáveis por defender também o Gigante, que vai chegar na torre adversária e causar dano enquanto toma porrada para que as unidades que vem atrás também consigam fazer algum estrago e derrubar o inimigo.

Espero que essa segunda parte do guia tenha sido um pouco esclarecedora, e com isso você já consiga montar um deck funcional. Você pode testar qualquer carta até chegar à sua combinação.
Pra finalizar eu deixo uma dica: quando começar a testar um deck você vai perder MUITO. Não se preocupe, isso é essencial. Perder vai fazer com que você aprenda quais os principais tipos de decks usados no metagame e também como contra-atacar qualquer estratégia.

Lembre-se sempre: você é tão bom quanto qualquer outro jogador, só precisa provar isso!

Amanhã eu encerro a série de postagens, e vou falar sobre troca de elixir e dar outras dicas gerais. Abraços a todos!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

[Clash Royale] Guia do Tio RD para construir o “Deck Perfeito” – Parte 1

Você já deve ter passado por isso diversas vezes: constrói um deck bacana, ganha algumas batalhas, sobe de arena e começa a perder absurdamente. Depois você reformula o deck, usa uma combinação que não é efetiva e se esquece do que estava usando antes. Frustrante, não?

Com o guia que estou escrevendo espero ajudar vocês a construir decks e se adaptarem pra poder jogar com a combinação que quiserem. Lembrando: QUALQUER carta do Clash Royale é viável. Umas mais, outras menos, mas todas possuem utilidade.


Antes de definitivamente ensinar como montar a combinação ideal, vamos discorrer sobre os principais tipos de deck do metagame, e qual deles você mais gosta de utilizar. A seguir estão os que mais tenho visto:

Beatdown (ou, como gosto de chamar, ‘bate ou regaça’): Consiste em construir um deck pesado e eficaz. Geralmente sua condição de vitória gira em torno de uma combinação indefensável, ou quase. Exemplos de beatdown: Gigante + Bruxa, P.E.K.K.A. + Double Prince.

Uma combinação poderosa, porém frágil!


Cycle (também conhecido por bater e correr): Esse é o tipo de deck mais irritante contra o qual já joguei. É caracterizado por cartas baratas, e o nome cycle vem de ciclo, com o principal objetivo de rodar a sua mão e sempre ter cartas para atacar de novo, deixando o oponente sem reação. Exemplos de cycle: Corredor + Goblins, Trifecta, Corredor + Barril de Goblins e etc.
O pior pesadelo de quem tem um deck mais pesado!


Control (também conhecido por pedreiro): Os decks do tipo control consistem em criar uma situação onde o jogador defende todas as investidas do adversário e constrói o seu ataque aos poucos, fazendo assim com que uma investida seja o suficiente para derrubar a torre adversária. Exemplos de decks de controle: Decks de cabanas em geral, decks de X-besta ou de Morteiro.

Alguém aí tem um saco de cimento pra bancar essa coisa?
(Print ilustrativo, tirado antes da fornalha custar 4 de elixir)


Tempo (ou, como gosto de chamar, o “PUTAQUEPARIUELEVIROU”): Geralmente os decks do tipo tempo são os de defesa sólida. O jogador que utiliza raramente ataca, e só o faz quando o contador aponta 60 segundos, dando a vantagem de elixir. O principal objetivo é cansar o adversário mentalmente e ler o deck alheio, para assim saber como levar o jogo nos segundos finais. Exemplos de decks de tempo: Decks com Inferno + Bruxa + Gigante, Canhão + Mago + Golem.

Eu vou defender até você cansar, e quando jogar a toalha vou levar suas torres!


Esses são alguns dos principais decks contra os quais eu já joguei ao longo de toda a minha ‘carreira’ no Clash Royale. O primeiro passo para construir uma combinação eficaz é saber em qual tipo de jogo você se encaixa. Não necessariamente seu deck vai ser apenas de um tipo, podendo haver combinações misturando control e beatdown, por exemplo. Se você não se encaixa em nenhum desses perfis, há duas coisas que eu posso te dizer: parabéns pela criatividade, ou mude seu deck imediatamente.

Pensar fora da caixa não é necessariamente ruim, pois a surpresa é um dos principais fatores que ganham o jogo no Clash Royale. Então, como exercício de hoje vamos pensar em que tipo de jogador você é, para depois escolher qual tipo de deck você vai montar.

E para finalizar, quero deixar bem claro: VOCÊ VAI PERDER, MUITO. Não adianta o quão bom seja o seu deck, ele não será eficaz contra tudo. Mais cedo ou mais tarde você vai perder, então quanto mais cedo você admitir isso e decidir montar uma estratégia decente ao invés de culpar a Supercell, melhor pra ti.

Esta é a primeira parte do nosso guia. Minha próxima postagem será sobre condições de vitória.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Conheça o Adobe Muse

Tenho de confessar que sempre fui um cara cético quando o assunto se trata de programas focados na criação de sites. Quando comecei a estudar o básico da programação web passei a ler muito sobre os softwares que estavam em voga na época, e como muitos os achavam milagrosos. Posso citar aqui o clássico (e morto há muito tempo) Microsoft Frontpage. Em praticamente todos os lugares que eu buscava o conhecimento, 90% das pessoas apontavam o dedo para o programa e o acusavam de gerar código desnecessário, poluindo o arquivo fonte do site. Sem falar nas limitações do Frontpage, que realmente era voltado para quem quisesse criar sites institucionais.

Paralelo a ele corria o DreamWeaver, da Adobe, também focado na criação de páginas web, porém mais completo e com diversas possibilidades. Quem optava por escrever o código no DreamWeaver contava com ferramentas que tornavam a visualização do código mais amigável, e um sem fim de opções. Vale citar aqui também os criadores como Kompozer, NVU e outros, disponibilizados de forma gratuita.

Apesar de toda essa gama de opções, sempre optei por criar o que quer que fosse escrevendo os códigos desde o início, usando o glorioso Notepad++ para deixar tudo mais legível. Há alguns meses, porém, conheci o Adobe Muse. Confesso que tive pouco tempo para estudar todo o universo relacionado a ele, mas ouso dizer que se trata do sucessor espiritual do DreamWeaver, e muito melhorado. O programa é bem completo e descomplicado, possibilitando a qualquer um criar suas páginas com alguns poucos cliques. Além de tudo ele oferece toda uma biblioteca de plugins e widgets para incrementar as páginas, e conta com uma comunidade envolvida que ajuda a solucionar muitas dúvidas e resolver problemas que podem surgir durante o desenvolvimento de um site.


O Muse é bem completo, e com ele é possível criar sites de diversas proporções (desde uma página simples para um institucional até algo de proporções gigantescas e com design responsivo). Se você é uma daquelas pessoas que sempre quis criar o seu site, mas passa longe de plataformas como Blogger, Wordpress e WIX, o Muse se encaixa perfeitamente no teu perfil. Caso queira dar uma chance e experimentar, ele faz parte da suíte de aplicativos CreativeCloud. Neste canal aqui tem alguns vídeos bacanas para quem quer conhecer um pouco mais da ferramenta na prática. Há também o site Rede Muse Maníacos, que conta com muito conteúdo voltado para os usuários do programa e recomendo fortemente.  

sábado, 9 de julho de 2016

Crônicas Mitty – Capítulo 1



Capítulo 1

Otto sentia seu sangue ferver nas veias. Em poucos instantes seu fôlego quase zerara. Os olhos haviam mudado de cor, tomando um tom amarelado enquanto ele se focava no alvo. Os longos cabelos castanhos do rapaz pingavam devido ao suor. Ele encarava firmemente o monstruoso Dave, um soldado que media duas vezes o seu tamanho e era força bruta pura.

O treinamento ministrado pela Organização Mitty era relativamente simples qunado comparado ao proporcionado por sua família, porém Otto estava exausto depois de um dia inteiro de lutas contra oponentes muito maiores que ele. Seu semblante era totalmente o oposto do adversário, que se preparava para mais uma investida. Parecia que alguém de dentro da Organização estava tentando sabotar a entrada do rapaz, sempre colocando obstáculos impossíveis para serem transpostos, fossem eles algumas missões inventadas em lugares perigosos ou uma série de lutas contra dez soldados de elite. 

O vento soprava no campo de treino e, enquanto alguns membros com cargo mais alto da Organização assistiam a luta com olhar de desdém em relação a Otto, havia uma jovem ruiva que acompanhava a luta. Se tratava de Felícia, cujos olhos azuis estavam fixos na postura de Otto. Frente a frente com um dos oponentes mais fortes que havia enfrentado ao longo dos treinos, o rapaz sentia o olhar da moça focado em si. O jovem não desistiria facilmente da luta.

- Vai usar o mesmo truque enovamente? Rapazinho, você não tem gás para lidar comigo por mais tempo. - bradou Dave, ao perceber os olhos amarelados do adversário.

Otto não ligava para a provocação. Sabia que a energia estava no limite, mas precisava apostar tudo que tinha naquele último golpe. Que viessem mais lutas depois, mas ele não cairia ali. A tonalidade amarelada em seus olhos ficou mais forte. O jovem investiu contra o adversário e conseguiu perceber tudo que se passava ao seu redor. Ele pode sentir desde os pássaros sobrevoando o campo de treino até a poeira se levantando a cada movimento. Não era Otto que ficava mais rápido, era o mundo que ficava mais lento. A percepção de Dave era outra, ao ver o adversário se movendo em uma velocidade absurda. O soldado grandalhão tentou se defender, mas foi impossível.

Otto foi rápido ao desferir cinco socos com precisão cirúrgica nas pernas do oponente, que caiu em questão de segundos. O soldado não aguentaria mais um embate e desistiu. Surpresos, os supervisores que acompanhavam o treinamento declararam que aquela etapa estava concluída. 

- Falta apenas uma última atividade que lhe será anunciada em breve, e você poderá ser considerado um membro da Organização, jovem Fanyc. Por enquanto vá descansar, mas se lembre que poderemos lhe chamar a qualquer momento que nos for conveniente. - disse Alain Bornaz, membro de elite que analisava as lutas.

A comitiva dos membros de alto escalão saiu do local por uma das portas que levavam até a sede, enquanto o rapaz e seu oponente reuniam forças para se levantar. 

- Devo admitir que você me deu muito trabalho, rapaz. - disparou Dave enquanto se erguia.
- Obrigado pelo... Err...logio? - Otto estava confuso.
- Pode considerar que sim. É a primeira vez que vejo um oponente se fortalecer durante uma luta. E dominar a Visio em pleno campo de batalha não é algo que todo mundo consegue.

Visio era o nome da habilidade que Otto usara durante o combate. Assim que ativada, ela permitia ao usuário uma percepção maior de tudo que o envolvia, fazendo com que seu cérebro agisse mais rápido e enxergasse as coisas de forma mais clara. A Visio era usada geralmente por soldados de elite, mas a família Fanyc havia explorado suas possibilidades, a transformando em algo comum aos seus descendentes. Usuários comuns conseguiam desenvolver três níveis da habilidade, sendo o último alcançado por aqueles considerados quase deuses, enquanto os Fanyc conseguiam alcançar níveis ainda mais altos.

- Você percebeu, não foi? - questionou Otto.
- Só não viu quem não quis, rapaz. Você chegou ao terceiro nível. - Dave respondeu.
- Na verdade está mais para 1.5. Não alcancei nem o segundo ainda. - Otto afirmou, sem jeito.
- Ainda no primeiro? Garoto, não minta pra mim.
- Não estou faltando com a verdade, senhor. Sou considerado um dos mais atrasados quando se trata de habilidades na minha família. - a sinceridade no olhar de Otto era clara. 
- Que seja. Se você luta dessa forma e ainda não é desenvolvido, mal posso esperar para quando for moldado pela Organização.

Dave finalmente tinha forças para caminhar. Não admitira, mas os golpes que recebeu ainda doíam. Em todos os seus mais de dois séculos vividos ele nunca havia enfrentado alguém com tamanha força e potencial quanto Otto. Pensava consigo que o garoto seria excepcional, e saiu do campo de treino.

~~

Assim que todos saíram do campo de treino Felícia se aproximou de Otto. Ela preparava as mãos para, mais uma vez, curar os estragos que o jovem sofrera durante o dia. Seus cabelos ruivos balançavam furiosamente, refletindo a expressão que o rosto da moça apresentava.

- É bom você aprender a se curar rápido. Eu não posso perder todo um dia de serviço do esquadrão e ficar te observando apanhar. - bradou Felícia.
- Apanhar? Não é bem assim. Eu passei por cima de cada um dos adversários que a Organização me impôs. Eles apanharam de mim! - respondeu Otto, elevando a voz.
- Então me explica suas roupas estarem rasgadas e todos esses machucados no seu corpo. Seu idiota! - falou a moça, enquanto as mãos brilhavam tocando os ferimentos no corpo de Otto.
- Se não quer cuidar de mim então não assista as minhas sessões! É tão simples, senhorita Felícia Stewart. Se não quiser se incomodar com meus problemas, cuide duas suas missões! - o jovem parecia furioso. 

Otto não chamava Felícia pelo nome completo em situações comuns. Só fazia isso quando a moça o irritava. Ao ver que havia desestabilizado o rapaz ela caiu em si e mudou sua expressão.

- Me desculpa. É que não suporto ver você brigando sem necessidade. Não precisa provar nada pra ninguém, Otto!

Ele não respondeu de imediato. Percebeu que Felícia foi rápida em curar seus ferimentos e então se levantou. Olhou ao redor e viu que estava escurecendo. Muitas horas haviam se passado desde o começo da sessão, e então ele se deu conta de que a moça estava presente desde o início, não perdendo nenhuma luta e esperando que tudo acabasse para ampará-lo. Otto abaixou a guarda e abraçou Felícia.

- O que está acontecendo é muito maior do que eu. É o nome da minha família que está em jogo. É a paz da minha mãe e dos meus irmãos, e quem sabe até dos descendentes que estão por vir. Sei que não gosta do que tem visto desde que meu treinamento aqui começou. Estão pegando pesado pra me tirar fora, mas eu preciso conseguir, e preciso que continue sendo forte, Felícia. - Otto falou em seu ouvido.

A moça entendia o que estava acontecendo, mas não queria aceitar. Ela gostava de Otto desde que eram pequenos. Era sempre protegida por ele e quando cresceu os papéis se inverteram. Como sua família tinha boa relação com a Organização ela não teve maiores dificuldades para passar pelo treinamento e se alistar em um dos esquadrões. Fazia pequenas missões e tinha renda para se sustentar. Os Fanyc, no entanto, eram considerados renegados pela Organização, que só não havia declarado uma guerra aberta porque saibam da influência que a família tinha com pessoas importantes. Otto tentava acalmar os ânimos de todos ao passar pelo treinamento e almejava criar um bom relacionamento com Andrew Padilha, o diretor. Só assim a perseguição pararia, ou ao menos ele acreditava nisso. Porém doía em Felícia ver que o jovem sofria tanto ao lutar por um ideal. De repente a moça começou a chorar nos braços de Otto.

O rapaz a abraçou ainda mais forte e percebeu qual a motivação do choro de Felícia. A partir daquele momento ela chorava não por apenas ver o fardo que Otto carregava, mas sim porque decidiu carregar o peso do mundo junto com ele. Durante aqueles minutos, enquanto a noite começava a cair, Felícia só pensava na felicidade de Otto, enquanto ele só pensava na felicidade dela. Juntos eles saíram do campo de treino em silêncio, mas levavam consigo a certeza de que um estaria lá pelo outro, sempre que fosse necessário.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O Batedor e a Caçadora - Prólogo


 Após a grande explosão, que remodelou o planeta e nossas vidas, os seres humanos evoluíram para uma nova espécie, os Mitty, seres excepcionais com mutações incríveis que lhes proporcionaram poderes inimagináveis.
 A junção dos continentes resultou no que hoje chamamos de Naroly, um único reino repartido em 50 distritos e diferentes classes Mitty. Logicamente cada classe é classificada de acordo com suas especificações físicas, místicas e “magicas”. Existem também seres que renegam a sua mutação, decidindo viver sem usar seus poderes. Essa não é uma prática incomum, muitos dos ancestrais dessa nova geração decidiram continuar com as vidas que levavam antes da explosão, mesmo com suas mutações.
 O hábito não necessariamente é passado em família. Vários Mittys, por ocorrência de algum trauma ou simplesmente em busca de redenção também aderem a essa prática. Para eles existe um distrito, um lugar onde podem viver tranquilamente suas vidas distantes daqueles que possuem poderes, o distrito 47. Esse distrito é conhecido por ser a habitação dos Humani, a classe daqueles que renegam seus poderes ou que tem poderes inúteis ou quase nulos, em si um distrito pacato, que remete muito às antigas cidades que um dia enfeitaram nosso planeta, em alguns pontos arranha-céus, em outros, pequenas vilas habitadas por cinco ou seis famílias.
 O mês é março do ano 2100 D.E. (depois da explosão). Especificamente ao sul do distrito, existe um vilarejo comum habitado por cerca de 150 famílias, algumas renegadas e outras meramente sem poderes. Ao leste do vilarejo, em uma praça simples, há árvores, quatro bancos espalhados, um em cada lado do parque, e uma quadra de esportes, onde podemos ver crianças soltas, correndo e brincando. Em um dos bancos há dois pais, ambos de meia idade, conversando sobre seus filhos, sendo um com poderes desconhecidos, mas supostamente fraco, de estatura média, cabelos pretos, olhos castanhos. O outro, um renegado, de porte atlético, cabelo de cor vermelho fogo e olhos cinzentos, um olhar morto.
 – Eu não sei o que fazer. Mesmo vindo de uma família renegada, Marín insiste em ser uma caçadora, diz que quer ir pra academia daqui a dois anos e eu não sei se estou preparado pra deixar minha filha partir, Victor – disse aflito o homem de cabelos vermelhos
– Vlad, eu diria que estou passando pelo mesmo problema. Eu sou um Humani de nascença, todos da minha família são.  No seu caso ainda existe uma tranquilidade, sua filha possui poderes, ela tem como se proteger, já no meu...   disse Victor, abaixando sua cabeça
 – Fala de Dylan?
– Sim, o garoto insiste em ser batedor, e eu já não sei mais o que dizer.  Não quero meu filho no meio de seres poderosos e perigosos, ele é um reles Humani não tem por que querer seguir esse caminho, mesmo assim ele sempre fala em como deve ser legal ter poderes e viver gloriosas batalhas –
– Me desculpe, acho que ele acaba sendo um pouco influenciado pela Marín, ultimamente a garota não para de falar sobre isso –
– Acho que não, Vlad.  Os dois são grandes amigos, possuem os mesmos objetivos... Mesmo ainda sendo crianças eu acho que estão bem convictos do que querem –
– Pois é, eu só não sei até onde isso pode fazer mal aos dois  –
– Marín, Dylan, hora de ir pra casa –
 Vieram de cerca de 50 metros de onde os homens conversavam duas crianças de dez anos correndo.  A menina possuía cabelos roxos, estatura média e olhos verdes, bem diferentes dos do pai. O menino possuía cabelos pretos, estatura média e olhos castanhos. Alguns diriam que se trata de uma cópia perfeita do pai. As crianças e os pais se despediram e foram cada um para um lado.
 Aquele foi o último encontro dessas duas crianças. Desde então 15 anos se passaram, e eu não sei qual foi o caminho que a Marín seguiu, mas continuo correndo atrás dos meus sonhos. Continuo tentando ser aceito na academia de recrutas. Havia tentado por cinco vezes nos últimos anos, mas sequer passei da prova física. Continuo tentando também dominar os poderes de minha família. Apesar de serem poucos, acho que consigo despertar alguma coisa a mais com eles. Não sei por que, mas tenho a sensação de que nossos caminhos irão se cruzar.

sábado, 2 de julho de 2016

Crônicas Mitty – Prólogo


A história do mundo pode ser divida em duas etapas: antes e depois da explosão. Antes dela os seres humanos viviam em seus respectivos continentes e pequenos universos, cada um com suas ambições, rotinas, decepções e lutas diárias.

Por volta do ano 150 A.E. (antes da explosão), tudo mudou. Tendo em vista a escassez de recursos naturais, várias nações entraram em guerra para garantir suas fontes de recursos e cada um tentou evitar que o outro se apossasse do pouco que tinha. Os confrontos começaram pequenos, primeiramente de forma política, tomando proporções cada vez maiores até chegar ao marco zero da linha divisória do tempo. A guerra ficou conhecida como Confronto do Recomeço, e foi marcada por milhares de mortes ao redor do planeta.

Em um dia há muito esquecido do mês de janeiro, agentes desenvolviam uma arma que combinava elementos químicos em um laboratório escondido na Rússia. Não se sabe ao certo qual das nações ordenou o ataque, mas todos os funcionários atuantes no local viram o momento em que o uma saraivada de balas caiu sobre as instalações. O local continha até mesmo elementos místicos, pois os pesquisadores buscavam criar a arma suprema, tendo estudado até mesmo a aura humana e sua fonte de energia para aplicar os conceitos àquilo que poderia causar destruição em massa.

Nenhum dos soldados ou generais inimigos ligava para isso. Sem se atentar ao estabilizador de matéria localizado na parte central do prédio, continuaram investindo de forma violenta. Na tentativa de evitar o vazamento de informações, os estudiosos acionaram bombas de autodestruição das instalações, o que gerou uma explosão de proporções catastróficas. Uma onda misturando elementos místicos e químicos se propagou pelo planeta. Plantas começaram a morrer e animais gritavam de dor. Os seres humanos, até mesmo os desprovidos de fé, sentiram uma perturbação imensa, mas não sabiam de onde vinha. Os recursos naturais, que eram cada vez mais escassos, foram se esvaindo aos poucos.

As placas que formavam os continentes começaram a se movimentar, todas para o mesmo ponto, como se estivessem em busca do ponto central da explosão. O caos se instaurou, e em pouco tempo todos os continentes se uniram apenas um. A água que permeava o planeta tomara uma coloração alaranjada, e as terras ficaram escuras, assim como uma noite sem luar. As matas se esvaíram, e a humanidade começou a pensar que o seu fim havia chegado.

O novo continente

A partir do incidente no laboratório localizado na Rússia, o calendário humano foi ‘resetado’. Algumas semanas depois começou a ser contada a nova linha na história do planeta, sendo que o que deveria ser fevereiro ou março voltou a ser janeiro.

Após a união do continente os líderes das extintas nações se uniram e fizeram um esforço para negociar a paz e cessar os conflitos. Como o mundo estava praticamente destruído não havia nada a perder durante a reunião. Após horas de debates e discursos inflamados ficou decidido que o novo continente seria dividido em distritos, enumerados de 0 a 49. Os detalhes geográficos seriam acertados posteriormente, e o nome da nova nação passou a ser, desde então, Naroly.

O fim da humanidade

Alguns anos depois da grande explosão a humanidade ainda se recuperava dos estragos sofridos e se adaptava à nova rotina, enquanto alguns pesquisadores obtinham mais informações a respeito de mutações. Desde a explosão os seres humanos passaram a testemunhar fenômenos nunca antes vistos, e aumentou o número de relatos sobre moradores que se transformavam em animais e depois voltavam ao normal. Aquele era o início do fim da raça humana.

Estudiosos conseguiram detectar alterações nos padrões de DNA da humanidade. A exposição ao material místico aliado a componentes químicos causou reações que surtiram efeito em quem nasceu no período após a explosão. A raça humana teve então o seu fim decretado pela natureza. Sem recursos naturais há anos, os agora fracos humanos deram espaço aos Mitty. Se tratavam de seres com aparência humana, mas DNA melhorado e expectativa de vida muito maior. Os novos seres possuíam grande capacidade a ser explorada.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

As Crônicas Mitty


Pessoal, a partir de hoje começarei a postar por aqui alguns textos relacionados a um livro que produzi há algum tempo. Como o Multiverso se trata mais de uma iniciativa pessoal, decidi trazer este tipo de conteúdo para o blog em forma de postagens semanais.

Como perdi o arquivo original do livro, mas ainda mantenho a história, vou me organizar para fazer as postagens de forma semanal, todo sábado. Vou aproveitar todo o espaço disponível na lateral do layout também para organizar um pouco a seção de leitura e trazer novidades por aqui.

Lembrando que, como as postagens serão feitas no sábado, devo começar a partir do próximo (2/7) a trazer algum conteúdo novo por aqui. Espero também aumentar a frequência das postagens que faço, variando na produção de material.

No mais é isso, e aguardem por novidades!

terça-feira, 22 de março de 2016

Conheça "As Crônicas do Tio RD" em vídeo


Olá mais uma vez pessoal que acompanha o Multiverso Convergente. Após muito tempo, volto a postar aqui no blog, e mais uma vez para falar sobre o canal do YouTube. Na época em que eu ainda publicava no finado Sleopand, dei início a uma série de postagens chamada de "Crônicas do Tio RD", onde primeiro abordei minhas experiências com Mario 64, aí tive de encerrar a série por uma combinação de fatores, e depois retomei com Final Fantasy Tactics Advance, jogo que finalizei após muita labuta.

Desde então a ideia foi arquivada, pois, minha intenção era fazer esse tipo de conteúdo em vídeo. Foi aí que consegui um aparelho de telefone meio 'decente' e desde então venho me preparando para produzir algo em vídeo. No final de 2015 comecei uma série (bem rudimentar, por sinal) de vídeos sobre Pokémon HeartGold, e hoje já aprendi mais coisas, como edição, criação de layouts e afins.

Pra quem ainda não conhece, peço que deem uma chance às "Crônicas do Tio RD", acessando o canal aqui. E, até para aumentar o conteúdo do blog, irei postar os vídeos por aqui dentro de algum tempo.

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