sĂ¡bado, 29 de setembro de 2018

Encontro



Laura nĂ£o sabia por onde começar sua busca. Encontrar o garoto de cabelo carmesim, avaliava, seria tarefa difĂ­cil. O sonho a atormentava todas as noites. E nunca conseguia ver com clareza o rosto do rapaz.

Decidiu que sairia do Distrito 16. Para onde? NĂ£o sabia. Mas havia pensado em conseguir dinheiro para a busca. NĂ£o seria fĂ¡cil, afinal, manter-se durante uma jornada que poderia levar sabe-se lĂ¡ quanto tempo. Seu primeiro plano era participar do Torneio MĂ­stico.

A competiĂ§Ă£o colocava dezenas de magos e guerreiros lutando em batalhas de um contra um, atĂ© que apenas o mais forte restasse e levasse o prĂªmio principal, com uma generosa quantia de bits e um trofĂ©u, alĂ©m do tĂ­tulo de campeĂ£o atĂ© a prĂ³xima ediĂ§Ă£o do torneio, que seria em cinco anos.
Saiu de casa no primeiro horĂ¡rio. O sol ainda nĂ£o dera as caras, mas em breve apareceria para ressaltar o cinza de todas as construções do distrito. Acelerou os passos. Queria chegar rĂ¡pido ao guichĂª mais prĂ³ximo para se inscrever.

No caminho nĂ£o conseguia parar de pensar no rapaz que vira em seus sonhos e na loucura eu estava vivendo. Como iria colocar a prĂ³pria vida em risco por alguĂ©m que nĂ£o conhecia? Se consultasse os amigos, provavelmente eles diriam que Laura enlouqueceu de vez.

“EntĂ£o vai tentar manter o tĂ­tulo de campeĂ£, hein?”. O sorriso malicioso e amarelado do atendente poderia ser visto de longe. As rugas apontavam sua idade, pouco mais de 300 anos. E ele ainda se lembrava do dia em que Laura sagrou-se como campeĂ£ e ganhou o tĂ­tulo de dama do fogo.

Apesar de nutrir certa simpatia pelo atendente, ela estava perdida em seus pensamentos. Murmurou algo, mas nĂ£o teve certeza do que era. Apresentou os documentos e finalizou a inscriĂ§Ă£o. Levou mais tempo para ir ao guichĂª do que para confirmar mais uma participaĂ§Ă£o.

Sentiu que alguns olhares se voltaram a ela. NĂ£o era de se estranhar. A jovem era tida por muitos como garota prodĂ­gio. Ficou conhecida em todos os distritos ao derrotar um general que foi campeĂ£o do torneio por quatro edições consecutivas.

Ainda lembrava-se do rosto dele. Um homem com dĂ©cadas de experiĂªncia, ocupando alto cargo na OrganizaĂ§Ă£o, a maior corporaĂ§Ă£o paramilitar do mundo, e que caiu diante de sua força. PatĂ©tico. Havia atĂ© mesmo se esquecido do nome do indivĂ­duo.

A dama do fogo ficou parada, perdida em suas memĂ³rias. NĂ£o fazia ideia de quanto tempo ficara no local de inscrições. Ao seu redor formava-se uma multidĂ£o. Todos, Ă© claro, querendo participar do Torneio MĂ­stico.

Enquanto alguns estranhavam ver a campeĂ£ atual parada, outros acreditavam que aquilo era algum tipo de estratĂ©gia, que a dama do fogo estava sentindo a aura de força dos competidores, avaliando e procurando alguĂ©m que pudesse ser um desafio. ArrogĂ¢ncia natural de vencedora, diziam alguns. Deve perder nas qualificatĂ³rias, murmuravam outros.

Nada daquilo era ouvido por Laura. Em dado momento ela teve um estalo. Lembrou-se que apĂ³s vencer o torneio anterior fora entrevistada e mandou um recado a todos. Caso ganhasse novamente, poderia mandar uma mensagem ao combatente carmesim. Certamente ele veria.

Enquanto ouvia vozes e mais vozes ao seu redor, a dama do fogo começou a se mover. O saguĂ£o onde ficam os guichĂªs de inscriĂ§Ă£o ficou lotado. Milhares de competidores, ou aspirantes a competidores, se misturavam. Podia sentir a energia fluindo dos futuros combatentes.

Enquanto andava, Laura sentiu um desconforto. Era como se algo ou alguĂ©m tivesse perturbado o equilĂ­brio energĂ©tico do local. Seria a Ăºnica sentindo isso? Olhou em volta e percebeu que nĂ£o, pois os outros presentes demonstrava expressões de dor.

Tentou aguçar os sentidos, encontrar a fonte do distĂºrbio. Fechou os olhos, concentrou-se. Vinha da ala leste e estava se movendo. A aura era de um monstro, sentiu a dama do fogo. Ao lado do misterioso indivĂ­duo andavam outras duas pessoas, com fortes auras energĂ©ticas tambĂ©m. PorĂ©m eram quase nulas comparadas Ă s dele.

De repente, a energia cessou. A dama do fogo sentiu uma pressĂ£o enorme deixar seu corpo. Os outros presentes tinham rostos aliviados, com expressões leves. Claramente o monstro suprimira sua aura. De que forma? Aquilo era realmente possĂ­vel? Ou alguĂ©m dera cabo do ser misterioso?

Intrigada, Laura teve uma ideia. Rastrear os acompanhantes do indivíduo. Ainda se movimentavam pela ala leste, porém a aura que estava entre eles agora era comum. Decidiu investigar.

NĂ£o tentou ser furtiva, pois era impossĂ­vel ter passagem livre em meio Ă  multidĂ£o. Imaginou que, de qualquer forma, nĂ£o seria percebida pelo trio. Tentou senti-los novamente. Continuavam em movimento.

Demorou atĂ© que chegasse aos suspeitos. Identificou uma das trĂªs figuras. Era uma mulher de estatura mediana, cabelos escuros como a noite. Estava toda de preto, dos pĂ©s ao pescoço. Ao lado dela um homem de cabelo prateado, tambĂ©m de estatura mediana e trajado com roupas pretas.
NĂ£o conseguiu encontrar o dono da aura monstruosa. Estava prestes a se convencer que fora um pequeno delĂ­rio quando viu ele. Alto. Vestia uma jaqueta de couro, preta. A calça, jeans, do mesmo tom. Calçava um coturno tambĂ©m preto.

O cabelo era castanho, mas lhe parecia familiar. O corte, o penteado. Lembrava alguĂ©m. O rosto nĂ£o era estranho a Laura. Quanto mais se aproximava, mais tinha certeza de que o conhecia.
“NĂ£o pode ser”, pensou. Devia estar enganada. Seria ele? O combatente que aparecia em seus sonhos. Aquele por quem Laura se vira tantas vezes jurando proteger durante seus devaneios? Todas as caracterĂ­sticas fĂ­sicas batiam. Exceto a principal. O cabelo era castanho. Os sonhos a enganaram? NĂ£o. Sem dĂºvidas era ele.

O homem olhou para trĂ¡s, parecia estar procurando algo, alguĂ©m. Laura se escondeu. Como se aproximar? Deveria insistir na loucura? Eram tantas dĂºvidas que mal conseguia pensar. PorĂ©m uma certeza ela tinha. Se o que acontecera momentos antes foi real, os dois invariavelmente se cruzariam durante o torneio.

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sĂ¡bado, 22 de setembro de 2018

Cabelo carmesim


A vida de Laura no Distrito 16 nĂ£o era tĂ£o ruim. MercenĂ¡rios, homens da lei, quem quer que fosse respeitava a dama do fogo, como era conhecida. No auge de seus 20 anos havia defendido muitas causas que nĂ£o a sua. E a qual causa ela pertenceria?

ApĂ³s tantas batalhas, Laura nĂ£o fazia ideia do que defendia ou deveria defender. Pelo que lutar? Por qual motivo entregar sua vida?

Eram pensamentos que passavam pela mente da jovem enquanto vagueava pelas ruas centrais do distrito. Ironicamente passava pelo beco dos desolados enquanto refletia sobre a vida. Os prĂ©dios, de cor Ăºnica, cinza, contribuĂ­am para a paisagem obscura, dentro e fora de sua cabeça.

Os pedestres, pedintes e mercadoras que passavam por perto nĂ£o pareciam emitir som algum. Laura estava concentrada. Mas em quĂª? Focada em se focar? Estava perdida. NĂ£o sabia, entanto, se jĂ¡ teve algum rumo para seguir, ou se teria.

Chegou em casa. Os cĂ´modos, vazios. Tanto quanto sua vida, avaliou. Deixou a sacola de compras jogada em algum canto e foi direto para o quarto, onde estava o Ăºnico mĂ³vel da pequena residĂªncia, uma cama surrada, tambĂ©m cinza.

NĂ£o chegou a pensar em mais nada. A dama do fogo deitou em meio Ă s cinzas de seu leito e deixou sua consciĂªncia levar-se pela leve brisa que entrava atravĂ©s da janela. Quando deu por si, percebeu sua prĂ³pria figura em meio a um deserto, nĂ£o sabia precisar em qual regiĂ£o do planeta.

Seria alguma loucura? Para onde o mundo dos sonhos a levara desta vez? Nem dormindo Laura tinha paz. Sentia sede. NĂ£o de Ă¡gua. Sentia fome. NĂ£o de comida. Faltava algo em sua vida, e nem mesmo ela sabia dizer o que.

De repente o deserto, quente e seco, começou a mudar de figura. Vento. Areia voando por todos os lados. Os cabelos louros de Laura seguindo a direĂ§Ă£o da ventania. No horizonte apareceram duas silhuetas, duelando.

DifĂ­cil distinguir quem ou o que eram. Um deles, alto, estava claramente sendo vencido pelo outro, baixo. Laura sentiu vontade de intervir. De lutar. Proteger aquele que era derrotado ao longe. Mas como? Por qual motivo? NĂ£o sabia.

O combate parecia ser intenso, tanto quanto a ventania que tentava incessantemente mover a dama do fogo. Ela permanecia inerte, sem reaĂ§Ă£o. A luta cessara. Um dos duelistas deixava o campo de combate, triunfante e caminhando para um lugar ainda mais distante do que onde se encontrava.

O outro, a figura mais alta vislumbrada pela dama do fogo, permanecia no chĂ£o. A ventania aos poucos perdia força, se transformando em pequenas correntes de ar que passavam por Laura e traziam um som. Era a voz de um homem.

Estava gritando por socorro? Resmungando por ter perdido a luta? NĂ£o. Chamava por Laura. Pedia para que ela o alcançasse. Que fizesse algo. O vingasse. A dama do fogo sentiu o corpo arder, como hĂ¡ muito nĂ£o ocorria.

Inflamada, Laura correu em direĂ§Ă£o ao combatente derrotado. O vitorioso sumira hĂ¡ tempos no horizonte. A figura do homem caĂ­do deixava de ser uma silhueta e  ganhava forma palpĂ¡vel. Um rapaz. TĂ£o jovem quanto a dama do fogo, seu fĂ­sico aparentava. Ela nĂ£o conseguia ver seu rosto claramente.

Além do corpo, era claramente visível o cabelo carmesim do rapaz. Estava ofegante, a princípio. A chegada de Laura trouxe calmaria. Para ele, ela e o deserto. Até mesmo as leves correntes de ar pararam.

"NĂ£o vou cumprir minha promessa hoje, fagulha", disse o ruivo. Aquelas palavras soavam tĂ£o familiares. Onde a dama do fogo havia ouvido essa frase antes? E quanto Ă  voz? Que doce voz ecoava daqueles lĂ¡bios.

Quando percebeu, estava respondendo ao duelista caĂ­do. "VerĂ¡s o sol nascer outro dia, Vermelho". EntĂ£o este era seu nome? Como sabia? SerĂ¡ que sabia? Eram tantas perguntas, e nenhuma resposta.

Laura se ajoelhou. Acolheu a cabeça do combatente de cabelo carmesim em seu colo. Sentia uma enorme vontade de protegĂª-lo. Um Ă­mpeto de se vingar de quem lhe ferira. AliĂ¡s, onde estavam os ferimentos do jovem? Eram fĂ­sicos? Na alma? Mais uma vez surgia outro turbilhĂ£o de perguntas sem resposta.

O deserto, atĂ© entĂ£o claro, começou a escurecer. A figura do duelista carmesim começara a sumir. A dama do fogo tentou segurĂ¡-lo, impedir que desaparecesse. Em vĂ£o. A ventania teve inĂ­cio novamente. Trazia um pedido de socorro aos ouvidos da moça.

O despertador tocou. Laura olhou para o teto, cinza. O sonho, intenso, trouxe um pouco de cor a sua vida. Mais do que isso, um propĂ³sito. Talvez nĂ£o fosse a primeira vez que o rapaz de cabelo carmesim aparecera em seus sonhos, e talvez nĂ£o fosse a Ăºltima.

Estava decidido. A dama do fogo iria procurar pelo combatente ruivo. A chama em seu coraĂ§Ă£o ardia, como hĂ¡ muito jĂ¡ fez. Estava decidida. Finalmente tinha um propĂ³sito.Encontrar e proteger o frĂ¡gil rapaz. Sentir a calmaria em seu coraĂ§Ă£o mais uma vez.

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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Super Mario Flashback | Suave como uma brisa refrescante no verĂ£o

Quando hĂ¡ fangame e Nintendo na mesma frase, geralmente podemos esperar algumas coisas. Em raras ocasiões trata-se de um jogo bem feito, mas produzido por fĂ£s, que naturalmente nĂ£o tem o direito sobre a propriedade intelectual que estĂ£o usando. É o caso de PokĂ©mon Prism, uma hack rom de PokĂ©mon que tomou proporções assustadoras e acabou levando um belĂ­ssimo de um strike - mas posteriormente foi concluĂ­da e publicada por alguĂ©m do reddit. Ou de Another Metroid 2 Remake, outro fangame que foi derrubado pela Nintendo.

SĂ£o sĂ³ alguns exemplos de jogos que pareciam ser muito promissores e caprichados, mas invariavelmente foram varridos do mapa. NĂ£o que a Nintendo esteja errada, longe disso. Odiaria caso alguĂ©m copiasse de forma integral - ou parcial - os textos que produzo e replicasse por aĂ­.

De qualquer forma, mais um fangame tem ganho espaço recentemente na internet, e desta vez do carro chefe da empresa, o personagem mais conhecido dos games, Mario Mario. O jogo em produĂ§Ă£o chama-se Super Mario Flashback, desenvolvido pelo Team Flashback.

Ele estĂ¡ em produĂ§Ă£o hĂ¡ uns bons anos, e em agosto uma demo pĂºblica do projeto foi liberada. Com grĂ¡ficos estilizados e uma trilha sonora sensacional, Super Mario Flashback Ă© o que muitos fangames da franquia gostariam de ser, sem dĂºvida alguma.

Apesar de ser o visual que atrai, a jogabilidade e a trilha sonora do jogo sĂ£o quem conquistam e fidelizam o jogador. Conheci a demo de Super Mario Flashback hĂ¡ alguns dias e, antes de gastar qualquer mega da minha franquia de dados, assisti alguns vĂ­deos.

Por esses vĂ­deos a jogabilidade parecia ser muito suave, e de fato Ă©. Os controle sĂ£o fluĂ­dos, bem responsivos, e as poucas fases disponĂ­veis sĂ£o muito bem construĂ­das.

Se vocĂª se interessou pelo jogo, pode ficar por dentro das novidades seguindo no Twitter o perfil @marioflashback. A demo jogĂ¡vel de Super Mario Flashback pode ser baixada clicando aqui.



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Segundatina: Comix Zone

Lançado em 1995 para Mega Drive, Comix Zone Ă© um beat 'em up que tem estilo visual Ăºnico e jogabilidade extremamente desafiadora que, como tudo desenvolvido pela Sega, acabou sendo portado para diversas plataformas. Por este exato motivo o jogo aparece na Segundatina da semana.

A premissa do jogo Ă© simples, o herĂ³i Ă© um desenhista que acaba entrando em uma histĂ³ria em quadrinhos repleta de vilões e capangas que estĂ£o apenas esperando para serem destruĂ­dos. Como falei no parĂ¡grafo anterior, o game recebeu versões para muitas plataformas alĂ©m do Mega Drive, como Xbox 360, Wii, Game Boy Advance, PlayStation 3, Microsoft Windows e, recentemente, Android e iOS.
Se vocĂª estĂ¡ afim de um joguinho para passar o tempo, Comix Zone certamente Ă© um tĂ­tulo a se considerar. Na Steam ele estĂ¡ sendo vendido por R$ 2,19, completo. Em dispositivos Android e iOS Ă© possĂ­vel baixar de graça, com a possibilidade de gastar alguns mangos para ter acesso Ă  versĂ£o completa, sem propagandas e com backup de save na nuvem.


terça-feira, 11 de setembro de 2018

OpiniĂ£o: A Link Between Worlds Ă© o melhor jogo de 3DS


The Legend of Zelda Ă© uma sĂ©rie de jogos que sempre me intrigou bastante. NĂ£o no sentido ruim da coisa, e sim por uma sĂ©rie de motivos. O primeiro deles Ă© que quando joguei Ocarina of Time (o mais aclamado da franquia, acredito) ainda tinha seis ou sete anos, e nĂ£o entendi nada do que acontecia na tela.

Um outro motivo Ă© o tamanho do mapa e a forma como as coisas funcionam na sĂ©rie. Desde o primeiro jogo atĂ© Breath of The Wild, Legend Of Zelda oferece mapas enormes e as indicações de objetivos tendem a ser muito sutis, fazendo com que o jogador precise andar bastante atĂ© encontrar a prĂ³xima vĂ­rgula da histĂ³ria e chegar Ă  conclusĂ£o.

O terceiro ponto estĂ¡ nas dungeons e seus puzzles. NĂ£o tenho vergonha alguma em admitir que me sinto MUITO burro ao passar horas tentando resolver um quebra-cabeça dentro de alguma dungeon e de repente descobrir que a soluĂ§Ă£o era estupidamente simples.

Coloque estes trĂªs motivos em um refratĂ¡rio mĂ©dio, acrescente um pouco de falta de vontade e chegue Ă  seguinte conclusĂ£o: eu nunca tinha terminado um game da sĂ©rie Zelda. NĂ£o atĂ© 2018.

No começo do ano, apĂ³s muitas idas e vindas, finalmente consegui comprar um Nintendo 3DS. Obviamente foi pra jogar PokĂ©mon – uma experiĂªncia, aliĂ¡s, que nĂ£o cabe aqui neste post – porĂ©m fui pesquisar sobre outros games para o portĂ¡til, e uma recomendaĂ§Ă£o recorrente era A Link Between Worlds.

Decidi dar uma nova chance Ă  franquia. Pensei que, de fato, alguns jogos nĂ£o sĂ£o feitos para todos os tipos de jogadores, mas nĂ£o custaria muito abrir espaço para o game. Acredito que nunca vou me arrepender de ter feito isso.

A Link Between Worlds foi lançado em 2013 oficialmente como continuaĂ§Ă£o de A Link to The Past, do Super Nintendo. No JapĂ£o, aliĂ¡s, o jogo recebeu o tĂ­tulo de The Legend of Zelda: Triforce of the Gods 2.

O enredo do jogo Ă© bem simples, diga-se de passagem. Logo no inĂ­cio vocĂª Ă© apresentado a Ravio, um personagem misterioso e simpĂ¡tico que te empresta um bracelete. Minutos depois e o jogador se depara com Yuga, um mago do mal que transforma as pessoas em pintura.

Quando o mago coloca o personagem principal na parede, Link consegue escapar por conta do bracelete que lhe foi entregue. E aí começa toda a jornada de salvar o reino de Hyrule.

Em dado momento aparece a conexĂ£o com outro mundo, o que justifica a ligaĂ§Ă£o com A Link to The Past. O herĂ³i passa a viajar por Lorule, uma versĂ£o alternativa de Hyrule e que trata-se do reino onde Yuga escondeu os sete sĂ¡bios, com o objetivo de usar seus poderes para dominar o mundo e controlar a Triforce, nĂ£o necessariamente nesta ordem.

E como Ă© feita a transiĂ§Ă£o entre os dois mundos? Usando aquele bracelete que citei alguns parĂ¡grafos acima. Por ter propriedades mĂ¡gicas, ele possibilita ao herĂ³i entrar nas paredes e passar por fissuras de ligaĂ§Ă£o entre os reinos. Essa mecĂ¢nica Ă© o que faz o jogo rodar, e auxilia muitas vezes na resoluĂ§Ă£o de quebra-cabeças.

Diferente do que ocorre em outros jogos da sĂ©rie, A Link Between Worlds te deixa usar todos os equipamentos desde o inĂ­cio. Ou quase todos, jĂ¡ que um dos itens apenas Ă© liberado apĂ³s resgatar certo personagem.

Os equipamentos sĂ£o alugados, e da primeira vez Ă© de graça. Se vocĂª morrer, todos os itens que carregava voltam para Ravio, o dono deles e que abre uma lojinha na sua casa. Em determinado ponto do game abre-se a possibilidade de comprar os itens para que sejam permanentemente seus.
A segunda tela do 3DS Ă© utilizada como inventĂ¡rio e tambĂ©m mapa. Algo que achei muito bacana Ă© que o game deixa marcado seus objetivos primĂ¡rios com um belo “X” em cada ponto, mas ainda te deixa marcar alguns locais com alfinetes.

E lembra que no começo falei sobre os mapas desnecessariamente grandes de Legend of Zelda? Em A Link Between Worlds o mapa é relativamente grande, sim, porém a Nintendo fez um excelente trabalho para tornar as coisas mais interessantes nesse sentido.

O fast travel do jogo funciona Ă  base de checkpoints, que sĂ£o descobertos atravĂ©s de cucos espalhados pelo mapa. Isso Ă© apresentado no encontro com uma simpĂ¡tica bruxinha, que lhe dĂ¡ um sino e pede para que o jogador toque toda vez que quiser ser levado a algum ponto distante.

Acontece que em determinado momento eu senti que conhecia tanto Hyrule e Lorule que praticamente abandonei o fast travel. Era prazeroso chegar Ă  prĂ³xima etapa da histĂ³ria principal. Paralelo a isso eu conseguia enfrentar alguns inimigos pelo mapa e angariar rupees para comprar equipamentos novos, ou mesmo encontrar alguns bichinhos de uma sidequest que me deixava melhorar os itens que tinha adquirido de forma permanente.

Em Link Between Worlds a exploraĂ§Ă£o Ă© encorajada, e nĂ£o punida. VocĂª pode atĂ© nĂ£o encontrar um grande objetivo apenas “sapeando” pelo territĂ³rio de Hyrule, mas acaba se deparando com uma garrafa onde poderĂ¡ acumular poĂ§Ă£o, ou com uma vidente que te dĂ¡ dicas de como acessar determinadas dungeons e qual serĂ¡ seu prĂ³ximo desafio na histĂ³ria principal.

As dungeons, por sinal, nĂ£o sĂ£o nada tediosas. Foi o primeiro Legend of Zelda no qual nĂ£o me senti um imbecil por nĂ£o decifrar os enigmas. Fiquei empacado alguns minutos em certos locais? Mas nada que mudar a ordem das dungeons e voltar depois nĂ£o tenha resolvido.

A Link Between Worlds definitivamente nĂ£o dĂ¡ respostas fĂ¡ceis, e em nenhum momento subestima o jogador.


Outro ponto que prende bastante Ă© a trilha sonora. Jogar A Link Between Worlds sem fones de ouvido decentes Ă© uma injustiça com a mĂºsica e os efeitos sonoros do jogo.

O tema de Hyrule se tornou facilmente a minha trilha sonora favorita de games. E a releitura de Zelda’s Lullaby? Simplesmente fascinante e muito difĂ­cil de descrever a sensaĂ§Ă£o de ouvi-la no Milk Bar. E lembra que alguns parĂ¡grafos acima citei o fast travel? Pois Ă©, atĂ© o barulho feito pelo sino usado nas viagens rĂ¡pidas Ă© bacana.
Hyrule at Peace: facilmente a melhor mĂºsica do jogo

E toda essa experiĂªncia dura apenas 16 horas. Particularmente, levei 18 horas para “fechar” o jogo, e ainda deixei muitos colecionĂ¡veis e corações pra trĂ¡s. Acho que atĂ© deixei de pegar uma das roupas do herĂ³i na primeira run, o que me incentivou a abrir um novo save e jogar de forma complecionista.
Indubitavelmente, The Legend of Zelda: A Link Between Worlds Ă© o melhor jogo de 3DS. Se vocĂª tem um portĂ¡til da linha, acredite, compensa e muito a compra do tĂ­tulo. Digamos que ele seria 10/10 no meu ranking.

AliĂ¡s, o game me fez ficar interessado em outros tĂ­tulos da sĂ©rie e motivou atĂ© mesmo a comprar outro console da Nintendo, mas isso Ă© histĂ³ria para outra postagem.

MĂ´nica e a Guarda dos Coelhos | Um novo tower defense vem por aĂ­!

A Turma da MĂ´nica nĂ£o Ă© nova no mundo dos games, principalmente se levarmos em conta os clĂ¡ssicos feitos pela TecToy na era Master System em cima dos jogos da franquia Wonder Boy. E parece que a turma mais famosa dos quadrinhos brasileiros volta aos consoles nos prĂ³ximos meses.

Isso porque foi anunciado na Game XP o jogo MĂ´nica e a Guarda dos Coelhos. O desenvolvimento estĂ¡ sendo feito pela Mad Mimic Interactiv, que ficou conhecida apĂ³s lançar o game No Heroes Here. O novo tĂ­tulo, ao que o trailer mostra, serĂ¡ um tower defense, podendo ter de um a quatro jogadores focando em defender castelos contra hordas de inimigos.

Para alcançar o objetivo, os jogadores precisarĂ£o criar pĂ³lvoras e coelhos mĂ¡gicos, carregar canhões e derrotar a sujeira. Ainda nĂ£o foi definida uma data de lançamento, mas MĂ´nica e a Guarda dos Coelhos sai ainda no segundo semestre deste ano para Nintendo Switch, PC, Mac e PlayStation 4.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Segundatina: Horizon Chase


Mais uma segunda-feira e chegamos a mais uma Segundatina. O joguinho de hoje veio de terras brasileiras para dispositivos Android e iOS e depois ganhou versões para PlayStation 4 e PC, trata-se de Horizon Chase.

Lançado em 2015 pelo estĂºdio Aquiris, Horizon Chase Ă© um jogo de corrida que homenageia o clĂ¡ssico Top Gear (1992, Super Nintendo), ao mesmo tempo em que evolui a fĂ³rmula do Ă¡rcade e apresenta grĂ¡ficos muito bem feitos e trilha sonora sensacional – que tambĂ©m remete muito a Top Gear e foi feita por Barry Leitch, mesmo compositor do clĂ¡ssico do Super Nintendo.

Tanto no Android quanto no iOS, Horizon Chase foi lançado de forma gratuita, com algumas corridas e carros liberados. Se vocĂª quiser ter acesso a todas as pistas e carros do jogo, Ă© necessĂ¡rio desembolsar uma grana – nĂ£o muita, pois na versĂ£o de Android desembolsei cerca de R$ 11 pela versĂ£o completa.

JĂ¡ no PS4 e na Steam o game foi lançado como Horizon Chase Turbo, recheado com 12 copas, 48 cidades, 109 pistas, 31 carros desbloqueĂ¡veis e 12 upgrades.

Se vocĂª estĂ¡ entre aqueles e aquelas que ficaram apaixonados pelo Top Gear original dos anos 1990, Horizon Chase definitivamente Ă© uma excelente opĂ§Ă£o para sua jogatina, nĂ£o sĂ³ de segunda, mas tambĂ©m de qualquer outros dias.

PUBG Mobile Lite: o Battle Royale que roda até em Moto C

Battle Royale Ă© definitivamente o gĂªnero do momento quando se fala de games. NĂ£o Ă© de se espantar, portanto, que jogos com essa pegada tenham sido lançados para praticamente todas as plataformas modernas. Demorou, no entanto, atĂ© que os principais expoentes dessa febre, Fortnite e PUBG, dessem a devida atenĂ§Ă£o aos dispositivos mĂ³veis, que podem ser muito rentĂ¡veis.

Em uma ponta, PUBG e Fortnite tem recursos e visuais bacanudos, o que os coloca bem Ă  frente da concorrĂªncia quando se trata de qualidade. Mas ambos perdem para os clones quando se trata de desempenho. Ao menos um deles nĂ£o perde mais.

Ocorre que em agosto a Tencent, proprietĂ¡ria da Bluehole (desenvolvedora de PUBG) começou um teste fechado para a PUBG Mobile Lite, versĂ£o do jogo destinada a dispositivos low end. Enquanto a versĂ£o principal do game pesa 1,5 GB, a "enxuta", que entrou em perĂ­odo de testes pĂºblicos na Ăºltima semana, ocupa menos de 300 MB. Obviamente a reduĂ§Ă£o no tamanho vem acompanhada de alguns sacrifĂ­cios.

O principal corte estĂ¡ na qualidade grĂ¡fica. A versĂ£o Lite passou por um enorme downgrade. Por ser destinado a dispositivos com pouco poder de processamento, o "novo jogo" teve cortes no visual e tambĂ©m no nĂºmero de jogadores por mapa, que caiu de 100 para 40 em cada partida.
Uma alteraĂ§Ă£o interessante na versĂ£o Lite Ă© que consigo ganhar o jogo
Apesar de nĂ£o parecer Ă  primeira vista, o Ă¡udio do jogo tambĂ©m teve alguns cortes. O efeito sonoro ao fazer um disparo parece som de lata, mostrando que os desenvolvedores economizaram em tudo mesmo.

AtĂ© a publicaĂ§Ă£o deste post tambĂ©m nĂ£o havia uma loja completa de itens, que deixasse comprar skins com dinheiro real. A loja de suprimentos disponĂ­veis estava aberta apenas para ouro, a moeda corrente do game e ganha em partidas.
Ainda dĂ¡ pra andar de carro na versĂ£o lite
Algumas coisas, no entanto, permanecem intocadas. Apesar do downgrade grĂ¡fico, as mecĂ¢nicas de PUBG estĂ£o todas ali, como veĂ­culos, as armas, os paraquedas, tudo. AtĂ© mesmo o chat de voz ingame permanece intocado.

E todas as alterações feitas deram resultado satisfatĂ³rio? Podemos dizer que sim. Fiz testes em alguns aparelhos considerados de entrada, como meu Moto E4 e o Moto C de um amigo (com apenas 8GB de memĂ³ria interna e 1GB de RAM) e o game apresentou desempenho satisfatĂ³rio e consistente.

Enfim, se vocĂª quer aproveitar um Battle Royale no seu smartphone ou tablet modesto, PUBG Mobile Lite Ă© o jogo. Ele pode ser instalado pela Google Play, atravĂ©s do link: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.tencent.iglite

terça-feira, 4 de setembro de 2018

A versĂ£o grĂ¡tis de Counter Strike: Global Offensive

Desde que foi lançado, em junho de 2012, Counter Strike: Global Offensive tem ganho cada vez mais espaço. Com foco em multiplayer, o game mantĂ©m hoje uma cena competitiva de respeito, mas nem todo mundo estĂ¡ interessado em ser esmagado nas partidas que valem ranking.

Com isso em conta, a Valve lançou recentemente uma versĂ£o gratuita de CS: GO. Para ter acesso a ela, basta acessar a pĂ¡gina do jogo na Steam e clicar em instalar. A versĂ£o completa continua Ă  venda, e no momento desta postagem custa R$ 28,99.

E qual a diferença entre as versões? A principal delas Ă© que a free faz com que o jogador tenha como Ăºnica opĂ§Ă£o as partidas offline, contra bots, para gameplay. AlĂ©m disso, nĂ£o Ă© possĂ­vel ganhar itens como armas e skins.

A versĂ£o gratuita atĂ© tem um modo online, mas nĂ£o para jogatina, e sim para que vocĂª possa assistir as partidas oficiais de campeonatos de Counter Strike. Enquanto isso, a versĂ£o completa continua intocada, com todos os recursos que tinha antes.

Se levarmos em conta hĂ¡ quanto tempo CS: GO estĂ¡ no mercado, parece ser meio tarde para a Valve lançar uma versĂ£o gratuita, nĂ£o? De forma alguma. Com a tendĂªncia de cada vez mais e mais jogadores migrarem para games como Fortnite, Ă© o momento da desenvolvedora se mexer e usar a versĂ£o free como uma demonstraĂ§Ă£o, apresentando gameplay e mecĂ¢nicas, atraindo pĂºblico que possivelmente vai comprar a versĂ£o completa.

AlĂ©m disso, hĂ¡ gente que, como eu, nunca sequer cogitou comprar o game com medo de nĂ£o rodar no computador - pelos requisitos, em teoria CS: GO roda atĂ© naquele PC comprado em 24x no carnĂª, mas nem sempre a histĂ³ria Ă© essa - poderĂ¡ fazer o teste derradeiro e ver se compensa gastar uma grana.

Um terceiro benefĂ­cio da versĂ£o gratuita vale para aqueles que tem a intenĂ§Ă£o de um dia entrar na cena competitiva, que Ă© o de conhecer o jogo como um todo e se familiarizar com mapas. Assim, quando a pessoa partir para o multiplayer nĂ£o corre o risco de sofrer com ofensas gratuitas por nĂ£o ter a mĂ­nima noĂ§Ă£o de posicionamento.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Segundatina: Monument Valley 2


Queridos e queridas, vamos a mais uma indicaĂ§Ă£o de joguinho mobile, e desta vez falarei sobre um dos meus favoritos, Monument Valley 2.

Certa vez, no finado Sleopand, postei uma anĂ¡lise de Monument Valley, que foi um dos poucos jogos a me fazer gastar grana mesmo no Android. Quando a continuaĂ§Ă£o foi lançada, era exclusiva para dispositivos com iOS, o que fez com que levasse algum tempo atĂ© que minha pessoa pudesse jogar.

ContinuaĂ§Ă£o?

Seria correto chamar Monument Valley 2 de continuaĂ§Ă£o? Acredito que muitos tenham feito essa mesma pergunta algumas vezes. Isso porque o primeiro game conta a histĂ³ria de Ida, enquanto o segundo foca em outra personagem, Ro, e sua filha.

Jogabilidade

Para quem nĂ£o conhece, Monument Valley Ă© um jogo de puzzle, ou, em portuguĂªs, quebra-cabeça. O objetivo do jogador Ă© mexer partes do cenĂ¡rio para que a personagem siga sua jornada atĂ© o fim.

Se por um lado Monument Valley 2 nĂ£o continua a histĂ³ria do primeiro, ao menos dĂ¡ sequĂªncia Ă  jogabilidade que seu antecessor possui. Novamente o jogador se depara com cenĂ¡rios simples Ă  primeira vista, mas que possuem quebra-cabeças relativamente complexos.

A histĂ³ria Ă© contada tela a tela, e o fato de em muitos cenĂ¡rios controlarmos dois personagens ao mesmo tempo acrescenta uma camada leve de dificuldade. A forma como a narrativa interage com os elementos presentes em cada tela Ă© simplesmente Ăºnica.


Trilha sonora

A mĂºsica e os efeitos sonoros foram pontos que se destacaram no primeiro game da franquia. Continuam excepcionais no segundo, e combinam muito bem com cada cenĂ¡rio.

Acredito, aliĂ¡s, que ninguĂ©m deveria experimentar Monument Valley, tanto o primeiro quanto o segundo, sem o uso de bons fones de ouvido.

Vale a pena?

Por se tratar de um jogo pago, a pergunta Ă© vĂ¡lida. O game custa R$ 16,90 na App Store e R$ 15,99 na Google Play. Pelo preço vocĂª recebe uma experiĂªncia bacana e, aproximadamente, 1h30 de gameplay. O preço Ă© mais do que justo, em minha sincera opiniĂ£o.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Review atrasado: Mi Band 2


Um dos motivos para o Multiverso Convergente ter sido reativado Ă© a minha necessidade de postar anĂ¡lise de basicamente tudo que compro/consumo, e a aquisiĂ§Ă£o mais recente trata-se de uma Xiaomi Mi Band 2.
Mi Band 2 - Foto: ReproduĂ§Ă£o

Confesso que nunca fui fĂ£ da proposta de wearables, os populares vestĂ­veis, na traduĂ§Ă£o direta. Smartwatch sempre me pareceu o conceito de algo que nunca gostaria de ter, o que mudou quando recebi em casa o “smartwach” (se desse, encaixaria muito mais aspas aqui) da PROTESTE, o U8, de baixo custo. Ele trazia algumas funções bĂ¡sicas como calculadora, sincronizaĂ§Ă£o de mensagens e notificações por bluetooth e me deixava atĂ© mesmo controlar a cĂ¢mera do celular, trocar mĂºsicas em determinados aplicativos e receber/realizar chamadas, tudo isso dependendo e muito do smartphone.

Se algum aficionado por tecnologia estiver lendo isso aqui, com certeza deve ter pensado que conheci o conceito de smartwatch da forma errada, e provavelmente estĂ¡ muito certo. Bom, vamos deixar a anĂ¡lise do U8 para outro post e focar na Mi Band. Dia desses vi que ela estava com um preço muito convidativo no Brasil – cerca de R$ 100 em alguns sites, o que Ă© muito barato para um produto da marca Xiaomi, mesmo levando em conta que a pulseira foi lançada hĂ¡ dois anos – e foi o que me fez correr atrĂ¡s de adquirir uma.

Estou com a Mi Band 2 e acredito que seja o momento de fazer o tal do late review do dispositivo.

Funções

Nem a Xiaomi e nem os muitos blogueiros/youtubers de tecnologia mentem ao deixar claro que a Mi Band 2 possui funções bem bĂ¡sicas (afinal, ela Ă© uma pulseira inteligente, apenas): contador de passos e distĂ¢ncia percorrida, batimentos cardĂ­acos e monitoramento do sono, alĂ©m de mostrar as horas.

Em comparaĂ§Ă£o ao meu “smartwatch”, sĂ£o dezenas de funções a menos, porĂ©m muito mais eficientes. A Mi Band nĂ£o necessita de um smartphone conectado o tempo todo para funcionar e coletar dados, mas sincroniza com o dispositivo tudo que ela coletou sobre vocĂª ao longo do dia.

O que mais me chamou atenĂ§Ă£o foi a possibilidade de monitorar meus batimentos cardĂ­acos ao longo do dia. Por ser hipertenso (e MUITO hipocondrĂ­aco, segundo minha esposa), gosto de acompanhar em qual estado se encontram minhas funções cardĂ­acas, e devo confessar que monitorar os batimentos no momento em que quero torna tudo muito mais prĂ¡tico.

A questĂ£o do contador de passos que funciona (estou fazendo uma cara feia para o U8 enquanto escrevo este exato trecho) tambĂ©m Ă© muito bacana. Os sensores da pulseira reconhecem quando estou caminhando/fazendo esteira ou simplesmente pedalando, e pelo aplicativo Mi Fit Ă© possĂ­vel “ensinar” quando estou na bicicleta, melhorando ainda mais a precisĂ£o da smartband.

A cereja do bolo Ă© o monitoramento do sono. É uma opĂ§Ă£o que nĂ£o vem ativada por padrĂ£o, por gastar mais bateria, pois o dispositivo frequentemente mede seus batimentos cardĂ­acos para ter mais precisĂ£o e poder mensurar coisas como em qual fase do ciclo de sono vocĂª estĂ¡. No entanto, aĂ­ fica minha ressalva: talvez esta funĂ§Ă£o nĂ£o seja tĂ£o precisa quanto de fato diz ser.

Claro, estas prĂ³ximas linhas se limitam Ă  minha experiĂªncia, que obviamente nĂ£o Ă© a definitiva ou padrĂ£o. Na noite anterior Ă  que escrevo este post, dormi por aproximadamente seis horas. A pulseira conseguiu calcular bem qual foi o intervalo em que eu estava acordado e dormindo neste ciclo – inclusive o momento em que acordei quando minha esposa chegou da aula e quantos minutos demorei para voltar a dormir.
Parece que eu acordo fĂ¡cil, de acordo com a Mi Band

No entanto, o relatĂ³rio que recebi pela manhĂ£ apontava que tive pouco mais de uma hora de sono profundo e que sou “acordĂ¡vel” facilmente. Tenho que discordar e muito desse ponto especĂ­fico, pois tenho um sono MUITO pesado, e geralmente configuro de trĂªs a quatro alarmes diferentes no celular – tanto no meu quanto no da minha esposa – para levantar pela manhĂ£. AtĂ© aqui, Ă© minha Ăºnica ressalva em relaĂ§Ă£o Ă  pulseira, mas acredito que seja questĂ£o de costume, de habituar o monitoramento Ă  minha rotina, afinal de contas, faz pouquĂ­ssimo tempo que estou usando o dispositivo.

Outra funĂ§Ă£o bacana na Mi Band Ă© mostrar Ă­cones de aplicativos que estĂ£o mandando notificações pra vocĂª. Como a tela Ă© ridiculamente pequena, aparece apenas o Ă­cone mesmo – e isso ocorre atĂ© em situações onde o usuĂ¡rio recebe ligações. Nas anĂ¡lises que assisti e li, muita gente apontou isso como fator negativo da pulseira, mas tenho uma visĂ£o contrĂ¡ria. Afinal, se vocĂª quer ter mais controle sobre o smartphone, poder ler notificações e pular a mĂºsica que estĂ¡ ouvindo atualmente, nĂ£o seria melhor um smartwatch?

Acredito que talvez seja exigir demais de um dispositivo que custa aproximadamente R$ 70 em sites chineses e que de longe nĂ£o tenta sequer chegar prĂ³ximo de um smartwatch – alĂ©m do mais, a Mi Band 3 jĂ¡ foi lançada e traz essas “funções essenciais” que muitos pediram.

Aplicativo

O “coraĂ§Ă£o” da Mi Band 2 estĂ¡ no aplicativo Mi Fit, que conecta o dispositivo aos smartphones e te apresenta verdadeiros relatĂ³rios do que ocorreu ao longo do dia. Por ele Ă© possĂ­vel configurar alarmes, definir controle por gestos e ter um verdadeiro mapa das suas atividades fĂ­sicas, monitoramento de batimentos cardĂ­acos e de sono.

DĂ¡ atĂ© pra estabelecer algumas metas pelo Mi Fit, como quantos passos vocĂª quer dar por dia, qual peso quer alcançar, entre outras coisas.
Adivinha sĂ³ quem nĂ£o Ă© sedentĂ¡rio?

HĂ¡ quem considere o Mi Fit muito simples, enquanto particularmente acredito que ele resolve tudo (ou quase) que Ă© necessĂ¡rio em relaĂ§Ă£o Ă  pulseira. AtravĂ©s dele Ă© possĂ­vel configurar atĂ© mesmo o smartlock, possibilitando o desbloqueio do smartphone enquanto a pulseira estiver por perto.
Uma recomendaĂ§Ă£o forte que li em vĂ¡rias anĂ¡lises Ă© a utilizaĂ§Ă£o do aplicativo Tools & Mi Band. Ele Ă© pago, e dizem que traz relatĂ³rios muito mais detalhados, alĂ©m de agregar funções ao dispositivo. Cheguei a ler relatos de pessoas que usam aplicativos de terceiros para usar o botĂ£o da pulseira para trocar mĂºsica, por exemplo.

Novamente, se o usuĂ¡rio busca um produto mais completo, digamos assim, nĂ£o seria o caso de investir a grana em outra aquisiĂ§Ă£o?

Bateria

Confesso que a bateria atendeu Ă s expectativas. A Xiaomi promete duraĂ§Ă£o de atĂ© 20 dias – exceto com monitoramento do sono preciso ativo e monitoramento automĂ¡tico frequente de batimentos cardĂ­acos, que drenam a carga – e, pelo meu uso, tudo indica que esta meta vai ser alcançada.
Como a Mi Band 2 usa Bluetooth 4.0 Low Energy o consumo Ă© mĂ­nimo tanto na pulseira quanto no smarthone que estiver pareado a ela.

Veredito

Levando em conta hĂ¡ quanto tempo tenho a Mi Band 2, ainda me parece muito cedo para dar alguma conclusĂ£o definitiva, mas anĂ¡lises pedem isso. Se vocĂª Ă© do tipo que procura algum dispositivo para ajudar nos acompanhamento de exercĂ­cios fĂ­sicos ou atĂ© mesmo monitorar sua movimentaĂ§Ă£o diĂ¡ria, a Mi Band 2 com certeza faz o seu tipo.

Custando cerca de R$ 100 em sites como o Mercado Livre e similares, Ă© uma compra boa de ser feita atĂ© mesmo no Brasil. JĂ¡ se vocĂª procura algo mais completo, hĂ¡ outros dispositivos que podem te agradar, como a Honor Band 3, a Mi Band 3 – comercializada no Brasil por mĂ³dicos R$ 200 em mĂ©dia – e a Amazfit, linha de pulseiras inteligentes de uma subsidiĂ¡ria da Xiaomi.

EntĂ£o, caso haja interesse de sua parte na aquisiĂ§Ă£o da Mi Band 2, pode ir fundo que a chance de arrependimento Ă© mĂ­nima.

Extras

Para concluir mesmo o POST deixo algumas considerações finais:
• Achei que a tela tem um brilho bem fraco sob a luz do sol. Talvez um mero detalhe, mas que atrapalha ver as horas durante uma pedalada, por exemplo.
• Ainda sobre o brilho, li que algumas unidades da Mi Band 2 apresentaram defeito de brilho fraquĂ­ssimo e outras que tiveram o defeito depois de algumas atualizações. Cabe ficar atento nisso.
• Por algum motivo que ainda nĂ£o consegui descobrir, hĂ¡ diversos relatos apontando para a incompatibilidade da funĂ§Ă£o de ler batimentos cardĂ­acos em negros. E isso Ă© MUITO bizarro.
• O carregador da pulseira Ă© proprietĂ¡rio. Como vocĂª provavelmente vai usĂ¡-lo de 20 em 20 dias, deixe guardado em um lugar fĂ¡cil de encontrar, pois terĂ¡ dor de cabeça se precisar comprar outro.
• AtĂ© tentei tirar fotos da pulseira para colocar no post, porĂ©m a cĂ¢mera do meu celular nĂ£o Ă© lĂ¡ essas coisas durante a noite, entĂ£o acabei desistindo. Mas os prints do Mi Fit sĂ£o meus :P

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Big Fish & Begonia



O mercado de serviços de conteĂºdo sob demanda por streaming estĂ¡ ficando cada vez mais concorrido. NĂ£o bastasse ter que concorrer com o Amazon Prime Video, a Netflix agora espera o lançamento de produtos de empresas como Disney, e se prepara investindo pesado na produĂ§Ă£o e aquisiĂ§Ă£o de conteĂºdo.

Esse investimento vem rendendo diversas obras, algumas com qualidade questionĂ¡vel e outras bem bacanas. Acredito que Big Fish & Begonia seja um tĂ­tulo que se encaixe na segunda categoria, porĂ©m acaba sendo uma obra muito subaproveitada.

Big Fish & Begonia trata-se de um filme de animaĂ§Ă£o chinĂªs que foi adicionado ao catĂ¡logo da Netflix em agosto deste ano. O longa conta a histĂ³ria de uma garota de um reino mĂ¡gico que se transforma num golfinho para explorar o mundo humano, tem contato com um jovem (o que contraria as orientações dadas por sua tribo) e acaba entrando na difĂ­cil missĂ£o de salvar a vida do rapaz.

DifĂ­cil missĂ£o porque a tribo de Chun, a protagonista, tem como uma das principais regras a de nĂ£o interferir no curso natural das coisas. A sinopse pode nĂ£o parecer algo tĂ£o atraente assim, e nem Ă© meu objetivo “vender” a animaĂ§Ă£o, mas essa premissa resulta em uma aventura fascinante.

A qualidade da animaĂ§Ă£o feita em Big Fish & Begonia impressiona. HĂ¡ diversos momentos em que me vi simplesmente babando enquanto olhava para o conteĂºdo apresentado nas cenas. Isso, aliado a uma trilha sonora que nĂ£o tenta ser mais do que o longa, resulta em uma obra Ă­mpar.

NĂ£o pretendo entrar em detalhes, para evitar spoilers da animaĂ§Ă£o, mas senti que a histĂ³ria toda poderia ter sido muito mais aprofundada. O longa trata principalmente do amadurecimento da protagonista em um curto perĂ­odo de tempo, mas falta algo, falta ainda mais profundidade.

Isso nĂ£o significa necessariamente que o longa Ă© ruim, porĂ©m acredito que de fato a obra poderia ter sido um pouco maior, ou atĂ© mesmo ser lançada como uma sĂ©rie animada episĂ³dica, algo que poderia dar muito mais liberdade para exploraĂ§Ă£o dos personagens.

Como todas as situações tem de ser resolvidas em 1h45, a impressĂ£o que fica ao final de Big Fish & Begonia Ă© a de que o filme poderia ter sido muito mais. A construĂ§Ă£o de cenas Ă© impecĂ¡vel, a resoluĂ§Ă£o da histĂ³ria ensina uma liĂ§Ă£o importante, mas fica apenas nisso.

PorĂ©m hĂ¡ uma gota de esperança aĂ­, jĂ¡ que a cena pĂ³s-crĂ©ditos deixa um gancho para uma possĂ­vel continuaĂ§Ă£o. Essa sim seria muito bem vinda, caso de fato ocorra.

Antes de concluir devo falar sobre a dublagem. Me soou muito estranha, e a experiĂªncia foi muito melhor quando assisti novamente a animaĂ§Ă£o ouvindo em mandarim e com legendas em portuguĂªs.

ConclusĂ£o

Como obra solo, Big Fish & Begonia funciona, apesar dos problemas de roteiro. Recomendo fortemente para fĂ£s de animaĂ§Ă£o. O longa estĂ¡ disponĂ­vel no catĂ¡logo da Netflix para assinantes.


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Segundatina: Dragon Ball Legends


Dragon Ball Ă© de fato um nome muito forte e que transforma em sucesso de vendas todos os produtos lançados com esta marca. NĂ£o Ă© difĂ­cil de imaginar, portanto, que na era dos jogos freemium esta fosse uma franquia a ficar de fora da onda.

Foi justamente por isso que a Bandai Namco desenvolveu Dragon Ball Legends, publicado para Android e iOS e que traz uma mecĂ¢nica jĂ¡ conhecida daqueles que se consideram verdadeiros mobile gamers, a de personagens desbloqueĂ¡veis em um sistema de gacha, ou basicamente em loot box.
Uma das estratĂ©gias para transformar Dragon Ball Legends em um jogo atrativo foi a introduĂ§Ă£o de um personagem inĂ©dito que move a histĂ³ria do game. Trata-se de Shallot, um misterioso sayajin que tem seu passado revelado no modo singleplayer.
A Bandai Namco jura que Shallot
 foi desenvolvido pelo prĂ³prio Akira Toryiama,
criador de Dragon Ball - ReproduĂ§Ă£o/Google

Modos

O jogo pode ser dividido em dois modos, sendo eles single e multiplayer. No single vocĂª gasta energia para cumprir missões da histĂ³ria e participar de eventos para desbloquear novos personagens. TambĂ©m hĂ¡ opções de aventura e treinamento nesta modalidade, tornando menos tediosa a mecĂ¢nica de “farmar” itens para subir os personagens de categoria.

O modo multiplayer tem um PVP que pode ser jogado de forma casual ou rankeada. É possĂ­vel levar atĂ© trĂªs herĂ³is para cada batalha, e um sistema de pedra-papel-tesoura torna as coisas bem interessantes. Uma curiosidade Ă© que o modo online nĂ£o gasta energia da limitada barra do jogo, o que pode ser considerado muito positivo.

Combate
A luta em Dragoon Ball Legends ocorre com toques na tela. Existem cartas que aparecem no decorrer do combate e permitem executar ações como ataque de curta distĂ¢ncia, ataque de longa distĂ¢ncia ou aplicar buffs. Algumas destas cartas vem marcadas com esferas do dragĂ£o, e ao usar sete delas Ă© possĂ­vel executar o Rising Rush, um ataque especial que geralmente finaliza o inimigo.
Tela de combate do game - ReproduĂ§Ă£o/Google

ConclusĂ£o

Seguindo a estratĂ©gia de muitos freemium, Dragon Ball Legends nĂ£o Ă© pay to win, mas tem sua moeda paga, baseada nos Chrono Crystals. Quanto mais deles vocĂª tem, mais pode gastar para tentar desbloquear personagens novos no modo de sorteio. É um game bacana tanto para quem quer curtir algo novo da franquia, como a histĂ³ria, quanto para quem deseja apostar na competitividade. Como falei no inĂ­cio do post, o jogo estĂ¡ disponĂ­vel para Android e iOS, e vocĂª pode baixa-lo na Google Play ou na App Store.

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