quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A FrequĂªncia Kirlian | Contos de terror Ă  meia-noite

Ao mesmo tempo em que sites como YouTube, Vimeo e afins democratizaram a produĂ§Ă£o e publicaĂ§Ă£o de conteĂºdo em vĂ­deo, tambĂ©m transformaram a briga por espaço no audiovisual em uma verdadeira guerra.

HĂ¡ centenas de websĂ©ries espalhadas por aĂ­ que provavelmente nunca atingiram (e nem vĂ£o) um pĂºblico realmente grande. Uma soluĂ§Ă£o para esses produtores independentes se darem bem, no entanto, Ă© terem seus produtos adquiridos por alguma empresa multimilionĂ¡ria, que investe em pĂ³s-produĂ§Ă£o, marketing, localizaĂ§Ă£o e afins. Foi basicamente o que aconteceu com A FrequĂªncia Kirlian (sĂ©rie de terror/suspense), que estreou em fevereiro de 2019 na Netflix, mas existe hĂ¡ um bom tempo.


Sinopse

Produzida na argentina, a sĂ©rie animada tem curtos episĂ³dios de no mĂ¡ximo nove minutos e foca na existĂªncia de uma rĂ¡dio com programaĂ§Ă£o exclusivamente noturna no povoado de Kirlian, localizado em algum ponto da provĂ­ncia de Buenos Aires. O programa de rĂ¡dio que dĂ¡ nome Ă  sĂ©rie, A FrequĂªncia de Kirlian, entra no ar exatamente Ă  meia-noite, e relata diversos acontecimentos sobrenaturais. É algo bem com uma pegada Stephen King mesmo.

Como surgiu (e chegou Ă  Netflix)

A FrequĂªncia Kirlian teve inĂ­cio em 2009, quando a produtora Tangram Cine fez o piloto da sĂ©rie. O primeiro episĂ³dio nunca foi finalizado, mas a sĂ©rie ganhou novos formatos nos anos seguintes, atĂ© que em 2015 se transformou em animaĂ§Ă£o. O criador do projeto, Cristian Ponce, contou com apoio de HernĂ¡n Bengoa, que jĂ¡ havia atuado em algumas produções argentinas, e assim surgiu o formato atual da websĂ©rie.

Os episĂ³dios mostrando um locutor narrando o cotidiano de Kirlian passaram a ser publicados no YouTube e no Vimeo desde 2017. Foram cinco episĂ³dios, cada um levando trĂªs meses para ser produzido e publicado. No meio do ano passado a sĂ©rie simplesmente sumiu dos canais onde estava hospedada, mas retornou hĂ¡ algumas semanas na Netflix, lançada de forma internacional e com localizaĂ§Ă£o em portuguĂªs e inglĂªs.

Vale a pena assistir?

É uma pergunta bem fĂ¡cil de responder. Nunca fui fĂ£ de produções de suspense ou de terror. Considero boa parte galhofa demais ou forçada demais. Por outro lado, sempre fui um apaixonado pelos trabalhos de Stephen King, que tem forte influĂªncia sobre a sĂ©rie em questĂ£o. A proposta da animaĂ§Ă£o Ă© diferente, com episĂ³dios curtĂ­ssimos e intrigantes. A impressĂ£o que se tem Ă© que houve muito cuidado na produĂ§Ă£o, que termina seu Ăºltimo episĂ³dio com gostinho de "quero mais".

Os episĂ³dios nĂ£o sĂ£o ligados entre si e poderiam, sim, ser mais profundos e duradouros. A cada pequeno conto aumenta ainda mais a vontade de conhecer o vilarejo macabro da telinha. Sem dĂºvida alguma, A FrequĂªncia Kirlian Ă© uma sĂ©rie que vale a pena assistir.

domingo, 6 de janeiro de 2019

WiFi Ralph | Uma animaĂ§Ă£o sobre a toxicidade da internet

Lançado em 2013 pela Walt Disney Animation Studios, Detona Ralph foi um longa de animaĂ§Ă£o repleto de referĂªncias a jogos antigos e que fez relativo sucesso, arrecadando quase meio bilhĂ£o de dĂ³lares em bilheteria. A animaĂ§Ă£o faz parte de uma nova leva de propriedades intelectuais da Disney, que, como qualquer empresa, precisa de novidades para se manter relevante no mercado.
Ah, como as pessoas sĂ£o inocentes ao ver a internet pela primeira vez - Walt Disney/ReproduĂ§Ă£o
Como propriedade intelectual que deu certo e poderia virar uma franquia, obviamente Detona Ralph teve uma continuaĂ§Ă£o seis anos depois, e trata-se de WiFi Ralph, lançado neste janeiro de 2019. O primeiro trata da jornada do personagem principal, Ralph (do fictĂ­cio game Fix It, Felix Jr), que visa deixar de ser vilĂ£o para se transformar em herĂ³i. No decorrer da aventura ele conhece Vanellope von Schweetz, protagonista do game Sugar Rush, e ambos acabam virando grandes amigos. A continuaĂ§Ă£o começa com um breve resumo da histĂ³ria do anterior e retoma do ponto onde Ralph e Vanellope continuam amicĂ­ssimos. Desta vez, a dupla deixa a loja de fliperamas de Litwak e vĂ£o em busca de uma peça para consertar e salvar o arcade de Sugar Rush, para que ele nĂ£o seja desligado em definitivo. E aĂ­ começa uma das sĂ¡tiras mais geniais que este redator jĂ¡ viu.

Em Detona Ralph, tudo que Ă© relacionados aos clĂ¡ssicos de fliperamas dos anos 1970 e 1980 acaba virando piada aqui ou ali e atĂ© mesmo um pequeno easter egg. JĂ¡ a sequĂªncia usa uma mĂ¡scara de filme sobre a importĂ¢ncia da amizade para satirizar a internet atual. E como isso Ă© apresentado e desenvolvido? É o que vamos te contar nos prĂ³ximos parĂ¡grafos - sim, com spoilers

Como citei acima, a premissa do filme Ă© de que Ralph e Vanellope vĂ£o Ă  internet para comprar uma peça sobressalente e consertar a mĂ¡quina de Sugar Rush. O primeiro destino deles Ă© uma praça onde fica um buscador que dĂ¡ as respostas para tudo. A partir dali a dupla principal Ă© levada ao eBay, site no qual estĂ¡ a bendita peça. ApĂ³s participar de um leilĂ£o, o ex-vilĂ£o descobre que acabou dando um lance de mais de 27 mil trumps na peça, e nĂ£o faz ideia de onde conseguir essa grana toda. A primeira tentativa de levantar o dinheiro ocorre dentro de um jogo, Corrida do Caos, onde a dupla precisa conseguir um carro super raro do game para vendĂª-lo e conquistar uma bela quantidade de dĂ³lares. É a primeira referĂªncia a um submercado da internet, o de compra e venda de itens cosmĂ©ticos em jogos, as chamadas micro-transações.

Em dado momento a ideia de conseguir o tal carro Ă© descartada, e uma personagem apresenta a Ralph e Vanellope uma ~maneira fĂ¡cil~ de conseguir dinheiro na internet, que Ă© gravar vĂ­deos sem conteĂºdo algum para publicaĂ§Ă£o na plataforma fictĂ­cia BuzzTube. AĂ­ entra uma boa parte do filme que Ă© focada na crĂ­tica ao conteĂºdo - ou Ă  falta de qualidade dele - na internet. Ralph ganha rios de dinheiro ao publicar vĂ­deos cada vez mais idiotas, seja fazendo piadas ruins com abelhas, memes sem graça, receitas que dĂ£o errado e qualquer outro tipo de vĂ­deo que viralize. HĂ¡ atĂ© uma cena bem bacana nessa parte, em um escritĂ³rio, onde um personagem estĂ¡ cansado de ver mais do mesmo na internet, mas acaba se interessando pelas publicações do protagonista, que no fim das contas sĂ£o as mesmas piadas que ele havia visto anteriormente, mas apresentadas por outra pessoa.
A animaĂ§Ă£o conta com aparições de diversos personagens de clĂ¡ssicos da Disney - Walt Disney/ReproduĂ§Ă£o
Claro que os rios de dinheiro nĂ£o sĂ£o fĂ¡ceis de conseguir. Ralph espalha links em toda a internet para atrair a audiĂªncia, que Ă© cada vez mais sedenta por novidades. AlĂ©m disso, a grande quantidade de likes recebidos por ele gera uma renda enorme Ă  plataforma que mantĂ©m os vĂ­deos, mas um pequeno percentual dessa renda volta para o protagonista. É justamente o que acontece na vida real, nĂ£o? Outro momento interessante ocorre em uma cena na qual Ralph acessa a seĂ§Ă£o de comentĂ¡rios da internet, e se depara com o Ă³dio exacerbado e sem motivo dos seres humanos. A dona do BuzzTube, que atende pelo nome de Yesss, explica ao ex-vilĂ£o que a regra nĂºmero um da internet Ă© nunca, em hipĂ³tese alguma, ler a caixa de comentĂ¡rios de qualquer conteĂºdo. "O problema nĂ£o estĂ¡ em vocĂª, Ralph, mas sim neles" dispara a personagem, referindo-se diretamente Ă  crueldade com que os internautas tratam tudo e todos - e o exagero com que reagem a qualquer pequena polĂªmica tambĂ©m.

Claro, o plot principal nĂ£o fica apenas nisso, e a dupla de personagens principais consegue resolver a treta inicial toda, com um fim falando sobre o amadurecimento deles. Mas decidi me ater Ă s referĂªncias de internet aqui por um motivo, pois acredito que a reflexĂ£o sobre a toxicidade online seja a principal mensagem da animaĂ§Ă£o. Fica Ă³bvio principalmente pelo nome do filme, que Ă© WiFi Ralph, mas o long deixa algumas mensagens bem claras sobre tudo que ocorre na internet. Uma anĂ¡lise interessante a respeito disso foi feita por Helton Simões Gomes, no UOL, sob o tĂ­tulo "WiFi Ralph" traz 10 lições e uma escorregada sobre a internet - a anĂ¡lise fala sobre alguns dos pontos que citei acima e vai alĂ©m, tocando em questões como as bolhas existentes na web e tambĂ©m o papel dos algoritmos no posicionamento de conteĂºdo online.

Essa genialidade toda em satirizar a internet e apontar a toxicidade da convivĂªncia online tem um preço, no entanto. Para focar no ambiente web, WiFi Ralph deixa de lado toda a mitologia apresentada no primeiro filme (como a regra principal de um personagem nĂ£o poder deixar seu jogo durante o horĂ¡rio de expediente, por exemplo), alĂ©m de outros personagens que poderiam ser desenvolvidos um pouco mais ou ter alguns minutos a mais de tela. Ao mesmo tempo, a sensaĂ§Ă£o que fica Ă© de que a questĂ£o da internet poderia ter sido muito mais aprofundada e a animaĂ§Ă£o deixa a desejar tambĂ©m nesse aspecto. WiFi Ralph poderia ter sido muito mais, porĂ©m talvez acabe tendo uma sequĂªncia que continue a abordar o que foi proposto no longa e tambĂ©m dĂª atenĂ§Ă£o ao universo criado pela franquia.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Mercado CrĂ©dito | O "modo carnĂª" do Mercado Livre

Se tem algo que brasileiro adora fazer (ou muitas vezes faz porque Ă© a Ăºnica alternativa possĂ­vel) Ă© comprar parcelado. Pagar no famoso carnĂª com parcelinhas a perder de vista Ă© um costume muito antigo em terras tupiniquins, mas o carnĂª Ă© algo praticamente inexistente em lojas online. Pelo menos era, atĂ© a Ăºltima semana.

Mercado Livre, uma das maiores marketplaces do Brasil, começou recentemente a testar o Mercado CrĂ©dito. Trata-se de uma espĂ©cie de carnĂªzinho do site, que possibilita aos clientes parcelar a compra de itens com preço variando de R$ 75 a R$ 400 e pagar essas parcelas no boleto. É uma mĂ£o na roda para clientes que nĂ£o tem cartĂ£o de crĂ©dito. Como citei acima, trata-se ainda de um projeto em fase de testes, e nem todos os usuĂ¡rios cadastrados no site tem limite disponĂ­vel. VocĂª pode checar seu limite clicando aqui.
Meu limite Ă© de R$ 400 atualmente. Como o Mercado Livre sabe que estou de olho na Mi Band 3, jĂ¡ sugeriram ela

A opĂ§Ă£o nĂ£o estĂ¡ habilitada para todos, e, de acordo com o Mercado Livre, Ă© questĂ£o de tempo atĂ© que chegue aos usuĂ¡rios cadastrados na plataforma. Para quem jĂ¡ conta com o Mercado CrĂ©dito habilitado, hĂ¡ algumas limitações impostas por "motivos de segurança": ainda nĂ£o Ă© possĂ­vel parcelar no boleto compras de cartões prĂ©-pagos para jogos, cartões Xbox Live e PSN, moedas virtuais, joias, bijuterias e poker.

Juros

Nem tudo que reluz Ă© ouro, no entanto. Como ocorre no carnĂª tradicional, o Mercado CrĂ©dito cobra juros por conta do parcelamento. NĂ£o cheguei a fazer simulaĂ§Ă£o de compra, mas o canal Compra Segura, no YouTube, afirma que um produto de R$ 182,99 pode acabar saindo por R$ 317,76 ao ser parcelado em doze vezes. Na simulaĂ§Ă£o feita pelo canal, a taxa de juros ficou em 6,6% ao mĂªs em duas parcelas e 4,7% ao mĂªs em doze parcelinhas. Ou seja, usando o Mercado CrĂ©dito vocĂª paga o preço de dois produtos ao comprar um parcelado. Mas, se adiantar o pagamento, Ă© possĂ­vel receber desconto nas parcelinhas.

Compensa?

Como sempre, cabe ao consumidor decidir se essa modalidade de parcelamento compensa. Pra quem nĂ£o tem cartĂ£o de crĂ©dito Ă© uma mĂ£o na roda, e a estratĂ©gia Ă© excelente para impulsionar a venda de produtos que tem preço acima de R$ 120 (e que por consequĂªncia tem frete grĂ¡tis na plataforma). Como alguĂ©m que usa frequentemente o Mercado Livre, acredito que tenha sido uma boa. Outros marketplaces podem acabar entrando na onda e facilitando a vida dos consumidores no geral.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O retorno de Grand Chase | Foi em grande estilo?


Grand Chase foi por muitos anos um dos jogos mais populares no Brasil. Desenvolvido e publicado pela KOG no resto do mundo, em terras tupiniquins o game era mantido pela Level Up Games.

Houve todo um cuidado com a localizaĂ§Ă£o do jogo, que recebeu atĂ© dublagem durante seus quase dez anos de atividade. O esmero na localizaĂ§Ă£o explica o carinho especial dos brasileiros por Grand Chase e tambĂ©m a decepĂ§Ă£o de muitos quando em 2015 foi anunciado o fim do jogo. Rumores dĂ£o conta de que na Ă©poca atĂ© houve esforço da LUG para adquirir os direitos do game, mas a KOG se negou a vendĂª-los.

Desde sua morte oficial, Grand Chase nĂ£o foi esquecido. No Brasil o jogo recebeu diversos servidores piratas, mas que nĂ£o tinham novos personagens e que acabavam enjoando os jogadores. Mas eis que chega 2018 e a KOG anuncia o retorno do tĂ­tulo. Desta vez o game foi lançado para plataformas mĂ³veis. HĂ¡ alguns meses servidores ao redor do mundo estavam liberados, e no dia 27 de novembro foi liberado o acesso de brasileiros ao jogo.

Confesso que nĂ£o ouvi falar do novo Grand Chase atĂ© duas semanas antes de seu lançamento. Apareceu como sugestĂ£o de prĂ©-registro na Google Play, fiz minha inscriĂ§Ă£o e compartilhei com outras "viĂºvas" deixadas pelo jogo original, fazendo meu papel de espalhar a palavra. TambĂ©m nĂ£o pesquisei sobre gameplays e afins antes do lançamento de um servidor nacional. 

NĂ£o pesquisar foi uma decisĂ£o consciente por dois motivos: nĂ£o queria tomar spoiler do conteĂºdo e tambĂ©m nĂ£o queria me decepcionar caso nĂ£o atendesse minhas expectativas - que estavam bem altas, diga-se de passagem. Agora, alguns meses depois do lançamento, vamos tentar responder aos poucos a seguinte pergunta: o retorno foi em grande estilo?

O que Ă© legal

Eu seria extremamente injusto se nĂ£o começasse falando da localizaĂ§Ă£o. Pra mim foi o fator marcante no Grand Chase que era habituado a jogar. As falas dubladas, a traduĂ§Ă£o dos menus... Tudo em uma Ă©poca na qual traduzir jogos era algo bem incomum, limitado a traduções nĂ£o oficiais disponibilizadas em fĂ³runs como o Game VĂ­cio. 

E a localizaĂ§Ă£o tambĂ©m estĂ¡ presente na nova versĂ£o. O servidor foi lançado com alguns erros de traduĂ§Ă£o - que os desenvolvedores disseram que vĂ£o corrigir em breve, pois nĂ£o poderiam adiar o lançamento - mas nota-se o esmero na localizaĂ§Ă£o. 

Os personagens tem interações dubladas, os quadrinhos que surgem no enredo estĂ£o traduzidos, tudo como manda o figurino. Tem atĂ© algumas coisinhas que considero extras, como o nome do dublador na ficha de personagem. Definitivamente podemos dizer que a KOG caprichou por aqui.

A trilha sonora tambĂ©m Ă© um ponto a se ressaltar. Ela Ă© ok, e vou usar o clichĂª "cumpre bem seu papel". E o estilo grĂ¡fico tambĂ©m Ă© muito bonito. As animações - de movimentos de personagens a golpes - sĂ£o bem feitas e detalhadas. O estilo cartunesco contribui muito para isso, e a movimentaĂ§Ă£o passa uma enorme sensaĂ§Ă£o de fluidez durante a jogatina.

Para encerrar os pontos positivos, vamos falar da variedade de personagens. SĂ£o dezenas de personagens disponĂ­veis. Eles sĂ£o divididos em classes como Tank, Healer, Archer, Mage e Warrior. Como as missões sĂ£o feitas em grupos com quatro personagens, nĂ£o Ă© possĂ­vel agregar todas as classes em uma Ăºnica equipe, mas podem ser feitas combinações bem interessantes, por sinal.



O que nĂ£o Ă© legal

Vamos ao que me deixou um pouco decepcionado em relaĂ§Ă£o ao jogo em si. A primeira coisa Ă© o estilo gacha. Para quem nĂ£o conhece, esse estilo tem origem nas mĂ¡quinas de gashapon (ou gachapon), que sĂ£o bem populares no JapĂ£o. Nestas mĂ¡quinas vocĂª coloca dinheiro e recebe um boneco de PVC. Nos jogos que usam o estilo, significa que o jogador gasta - moeda do jogo e dinheiro real tambĂ©m - para "invocar" personagens. 

AtĂ© que nĂ£o parece tĂ£o ruim, nĂ£o Ă© mesmo? Se vocĂª nĂ£o estĂ¡ familiarizado com o gĂªnero - bem popular atualmente em grandes franquias portadas para dispositivos mĂ³veis - vou te explicar os motivos de nĂ£o gostar do sistema de gacha. Em Grand Chase os personagens sĂ£o divididos por estrelas e rank de raridade (que vai de B a SR, em ordem crescente de poder). Ao fazer um summon de herĂ³i, hĂ¡ chances de que ele seja de uma classe alta ou baixa. 

Mas Ă© Ă³bvio que essas invocações nĂ£o sĂ£o facilitadas e geralmente exigem uma grande quantidade de moeda especĂ­fica pra isso, que pode ser adquirida com muito esforço ou investindo alguns taokeis. AĂ­ estĂ¡ o pulo do gato: se vocĂª quiser ter um personagem realmente forte precisa gastar muito tempo ou uma bela grana para ter a chance de tentar sortear um herĂ³i bacana. A mecĂ¢nica toda Ă© feita com base em sorte. NĂ£o Ă© algo que me agrada, particularmente, mas que trata-se de uma fĂ³rmula rentĂ¡vel, entĂ£o Ă© compreensĂ­vel a utilizaĂ§Ă£o da mecĂ¢nica de gacha aqui.

A jogabilidade tambĂ©m nĂ£o me agradou muito. Alguns jogos similares, como Bleach: Brave Souls, usam joystick virtual e habilidades clicĂ¡veis com botões emulando um controle tradicional. JĂ¡ no Grand Chase o jogador precisa clicar no local onde quer que os personagens cheguem e clicar e arrastar habilidades. NĂ£o Ă© o fim do mundo, e me lembrou bastante a jogabilidade de Vainglory, mas, como disse ao inĂ­cio do parĂ¡grafo, nĂ£o gostei. No entanto, Ă© possĂ­vel ativar as opções auto move e auto skill, e deixar o jogo se jogar sozinho em missões e atĂ© mesmo no PVP.

Veredito

No fim das contas, podemos avaliar que sim, Grand Chase voltou em grande estilo. Quem tem familiaridade com a lore, conhece personagens e o universo do game, vai gostar bastante do que a KOG fez por aqui. O jogo estĂ¡ disponĂ­vel para Android e iOS

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Segundatina: RWBY Amity Arena


Estamos de volta com mais uma ediĂ§Ă£o da Segundatina, sua coluna semanal de indicaĂ§Ă£o de joguinhos para passar o tempo. Desta vez vamos falar sobre o Clash Royale de RWBY, trata-se de RWBY Amity Arena.

Amity Arena mistura elementos
de estratégia em tempo real com Tower Defense
Para quem nĂ£o conhece, RWBY Ă© uma websĂ©rie de animaĂ§Ă£o criada por Monty Oum e que surgiu em 2013. Ambientada no mundo ficcional de Remnant, a sĂ©rie conta a histĂ³ria de jovens que treinam para virarem caçadores e protegerem o mundo de criaturas das trevas.

Atualmente RWBY estĂ¡ em seu sexto volume, e todos os episĂ³dios podem ser assistidos de forma gratuita no site da Rooster Teeth (estaĂ© a pĂ¡gina oficial da sĂ©rie).

Como todo produto de entretenimento, Ă© Ă³bvio que foi feito um jogo da sĂ©rie e trata-se de RWBY Grimm Eclipse, lançado para PC, Xbox One e PS4, mas que nĂ£o foi um sucesso de vendas. EntĂ£o porque nĂ£o apostar em algo para dispositivos mĂ³veis?

Foi exatamente o que a Rooster Teeth fez ao anunciar parceria com o estĂºdio sul-coreano NHN Entertainment Corporation. Foi aĂ­ que surgiu RWBT Amity Arena, um jogo fortemente inspirado em Clash Royale.

Quem acompanha o Multiverso Convergente certamente conhece o tĂ­tulo da Supercell, que popularizou todo um subgĂªnero de jogos de estratĂ©gia em tempo real. FĂ³rmula essa que foi aprimorada por Star Wars: Force Arena, tĂ­tulo publicado pela Netmarble em 2017 para Android e iOS.

Game tem jogabilidade inspirada
em Star Wars: Force Arena
e interface inspirada em Clash Royale
AliĂ¡s, ouso dizer que Amity Arena foi muito mais inspirado no tĂ­tulo da Netmarble do que em Clash Royale. Isso porque no game da Supercell nĂ£o hĂ¡ distinĂ§Ă£o de herĂ³is e tropas – as cartas podem ser divididas em tropas, construções e feitiços – enquanto em Force Arena, sim.

Dadas as devidas comparações, vamos ao bĂ¡sico, explicando como funciona Amity Arena. Aqui vocĂª enfrenta outros jogadores em uma arena com o objetivo de destruir ao menos uma das trĂªs torres adversĂ¡rias e preservar as suas. Para isso, Ă© possĂ­vel colocar unidades em uma arena, e os personagens podem ser obtidos em forma de cartas.

Cada jogador pode ir Ă  arena com um deck de oito cartas, que podem ser divididas em tropas e herĂ³is. Os herĂ³is sĂ£o mais difĂ­ceis de serem encontrados, porĂ©m geralmente contam com habilidades especiais. O jogo Ă© grĂ¡tis, mas oferece microtransações – Ă© possĂ­vel adquirir baĂºs e chaves para desbloquear mais cartas e acelerar a progressĂ£o.

No geral, se vocĂª gosta de jogos como Clash Royale e tambĂ©m de RWBY, Amity Arena Ă© uma Ă³tima pedida para aquela jogatina rĂ¡pida. O game estĂ¡ disponĂ­vel para dispositivos Android e iOS.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Discord Convergente


Queridos leitores e leitoras, hĂ¡ muito tempo, ainda na Ă©poca em que Ă©ramos o lar do CoraĂ§Ă£o das Cartas, criamos um servidor no Discord, que ficou abandonado por meses. HĂ¡ alguns dias decidi reativar o espaço e organizar jogatinas ocasionais por lĂ¡.

Ă€s terças e sĂ¡bados, especificamente apĂ³s Ă s 19h em ambos os dias, estarei online no servidor para trocar ideias entre uma partida e outra de League Of Legends, ou entre sessĂ£o e outra de PokĂ©mon Revolution e qualquer outro jogo que dĂª na telha - terças e sĂ¡bados sĂ£o praticamente os Ăºnicos dias que garanto estar online, mas ocasionalmente aparecerei no servidor em outros dias da semana.

Entre algumas features, por assim dizer, do servidor, coloquei um bot que toca mĂºsicas do YouTube (Rythm Bot) e outro que acrescenta uma roleplay de PokĂ©mon (PokĂ©cord). Sintam-se convidados a participarem do nosso servidor, e para entrar basta acessar o seguinte link: https://discord.gg/heRA6bR

Segundatina: Towaga


E voltamos com mais uma segundatina neste conceituado blog. Para a coluna da semana separei um game exclusivo de Android, com jogabilidade simples, porém dificuldade elevada. Vamos falar de Towaga!

Desenvolvido pela Sunnyside Games – mesmo estĂºdio de The Firm – o jogo te coloca na pele de ChimĂ¹, um personagem xamĂ£ que protege o templo de Towaga.

O objetivo Ă© ficar no topo do monte usando duas habilidades para evitar a aproximaĂ§Ă£o de monstros, sendo que uma fica do lado direito e a outra do lado esquerdo da tela. É uma mecĂ¢nica que lembra muito jogos do tipo tower defense (ou temple defense, abusando do trocadilho neste caso em especĂ­fico).

Towaga conta com cinco mundos diferentes, e cada fase Ă© mais difĂ­cil que a anterior. Como Ă© fĂ¡cil de jogar, no entanto, Ă© possĂ­vel aproveitar de seções curtas do game sem enjoar. A trilha sonora Ă© outro ponto positivo, e que o jogo faz questĂ£o de ressaltar ao exibir um belĂ­ssimo de um aviso informando que “Ă© melhor jogar usando fones de ouvido”.

HĂ¡ tambĂ©m a possibilidade de desbloquear visuais diferentes para ChimĂ¹ conforme o jogador cumpre desafios, e nĂ£o hĂ¡ como comprar essas skins – ou seja, o jogo Ă© livre de microtransações, ao menos por enquanto.

Towaga estĂ¡ disponĂ­vel apenas para Android, de forma gratuita, e pode ser instalado clicando aqui

Uma curiosidade sobre o jogo Ă© que a Sunnyside Games estĂ¡ desenvolvendo o tĂ­tulo Inlight, que usa das exatas mesmas mecĂ¢nicas de Towaga, e que deve chegar ao PC, Mac e Nintendo Switch em meados de 2019. VocĂª pode saber mais sobre Inlight na pĂ¡gina do jogo na Steam. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Segundatina: Battlelands Royale

E depois de algumas semanas de muita correria, finalmente consigo me dedicar ao blog novamente nas horas vagas, começando com o retorno da Segundatina!

O jogo da semana Ă© mais um do gĂªnero Battle Royale, e trata-se de Battlelands Royale. Desenvolvido e publicado pela Futureplay, o game se destaca primeiro pela visĂ£o top down. É um ponto positivo principalmente para quem sofre de motion sickness e tem dificuldades em jogar qualquer tĂ­tulo em primeira ou terceira pessoa.

Os grĂ¡ficos lembram muito o estilo chibi, e hĂ¡ quem diga que Battlelands Royale pareça muito uma versĂ£o mini de Fortnite, maior expoente do gĂªnero na atualidade.

Caso vocĂª nĂ£o tenha familiaridade com Battle Royale, vamos explicar como funciona o jogo desta Segundatina. O game coloca 32 jogadores em um mapa que vai diminuindo aos poucos. Repleto de armas e munições, o cenĂ¡rio faz com que os jogadores batalhem entre si pela sobrevivĂªncia. Uma partida de Battlelands Royale dura, geralmente, de trĂªs a cinco minutos.

Diferente de outros jogos do gĂªnero, aqui nĂ£o hĂ¡ como jogar em esquadrĂ£o, apenas nos modos solo ou em dupla - que pode ser formada com um amigo ou outro jogador aleatĂ³rio. Gratuito para jogar, Battlelands arrecada com a venda de Battle Bucks, moeda prĂ³pria que possibilita a compra de itens cosmĂ©ticos e do Passe de Batalha, que dĂ¡ acesso a itens de visual e personagens novos.

O game se encontra atualmente na segunda temporada, e pode ser instalado em dispositivos Android e iOS.




sĂ¡bado, 13 de outubro de 2018

RevelaĂ§Ă£o


Dor. Foi o que Laura sentiu antes de abrir os olhos. Ao mesmo tempo em que incomodava, a dor lembrava que a dama do fogo havia sobrevivido. Mais do que isso, a jovem também se sentia humilhada.

Em todos os seus anos como combatente e mercenĂ¡ria profissional, Laura nunca havia amargado tamanha derrota. E o culpado era aquele homem. Do cabelo castanho. Ou era carmesim? Tinha certeza de que algo estava errado.

As luzes da enfermaria começaram a incomodĂ¡-la. Estava praticamente sozinha no quarto. Ao menos trĂªs outros leitos eram ocupados por pessoas que foram derrotadas no Torneio MĂ­stico. Estranhou nĂ£o ver algum mĂ©dico ou enfermeira no local.

Conseguiria se levantar? Tentou. Conseguiu. Saiu do quarto e foi para o corredor. Começou a ouvir um alto barulho. Eram vozes, de milhares de pessoas. Percebeu que do lado de fora estava a arena. A final do torneio estava prestes a começar. Por sorte, Laura acordou a tempo de ver a Ăºltima luta.

Se misturou em meio Ă  multidĂ£o nas arquibancadas. Os narradores, animados, anunciavam o Ăºltimo confronto. Eciel, do Distrito 19, o rapaz de cabelos castanhos, entrava de um lado. Do outro estava Evard, o general que fora derrotado pela dama de fogo na ediĂ§Ă£o anterior do torneio.

Aquele que era considerado o rosto da maior corporaĂ§Ă£o paramilitar do mundo parecia diferente. Seus olhos pareciam nĂ£o ter pupilas e Ă­ris, pois eram inteiramente brancos. Os cabelos estavam grisalhos. No entanto, parecia estar em seu auge fĂ­sico. Eciel, se este era seu nome mesmo, seria facilmente derrotado, pensou Laura.

O combate começou. Evard se movia muito rĂ¡pido. Avançava e atacava tal qual um lince. Mas o adversĂ¡rio tambĂ©m era veloz. Enquanto o general tentava acertar qualquer golpe que fosse, Eciel se evadia, sem retrucar.

A situaĂ§Ă£o deixou o general visivelmente incomodado. ApĂ³s mais de cinco minutos em uma espĂ©cie de jogo de gato e rato, nenhum dos dois demonstrava cansaço. Sem deixar a arena, Eciel desviava de cada golpe, recuando pouco a pouco. Evard continuava investindo, ficando cada vez mais irritado.

De repente o primeiro golpe. NinguĂ©m viu como aconteceu, apenas o desfecho. O general foi arremessado e caiu a 20 metros de distĂ¢ncia. Estava visivelmente furioso a essa altura. Murmurou algo que Laura nĂ£o conseguiu entender. Era muito provĂ¡vel que ambos os combatentes haviam se esquecido da arquibancada e o pĂºblico ao redor do centro da arena.

Em um piscar de olhos Evard começou a emanar uma forte energia. O pĂºblico todo conseguiu sentir a pressĂ£o exercida por ele. Uma aura branca, quase imperceptĂ­vel, cercou seu corpo. Os olhos brancos emitiam luz. O combate ficara sĂ©rio.

NinguĂ©m viu como ele saiu do local onde estava e se posicionou atrĂ¡s de seu adversĂ¡rio. Eciel nĂ£o demonstrou surpresa. Sem ao menos encarar o general, o rapaz desviou de um golpe que certamente parecia fatal.

Evard demonstrava sinais de cansaço. Eciel permanecia sereno, mantendo a mesma expressĂ£o que tinha desde o inĂ­cio do torneio. O general ficou descontrolado. Movia-se de forma que o pĂºblico nĂ£o conseguia vĂª-lo. Quem acompanhava a luta enxergava apenas os rastros da destruiĂ§Ă£o causada por ele na arena. Por onde passava, Evard levantava o chĂ£o.

Os narradores tratavam a evasĂ£o de Eciel como um milagre. A arena toda sentia o impacto do general, mas o jovem permanecia intocado. DramĂ¡tica, a Ăºltima luta do torneio chegava aos trinta minutos de duraĂ§Ă£o.

De um lado estava um dos maiores vencedores do torneio, agora encoberto por um manto quase translĂºcido. Do outro, um iniciante que havia destronado a dama de fogo e estava prestes a destruĂ­-lo.
Laura tentava acompanhar o ritmo dos combatentes, assim como todos os presentes na arena. Foi quando Evard parou de se mexer. Sua força acabou? Eciel esboçou um riso malicioso de canto de boca. Parecia estar esperando a brecha para atacar o oponente, e aquela deveria ser a oportunidade.

Mas como? Havia o desafiante desconhecido sabotado o general? NĂ£o, nĂ£o era possĂ­vel. Laura pensava que a luta foi estendida de propĂ³sito. O objetivo era claro, fazer com que Evard usasse o mĂ¡ximo de poder e acabasse fadigado em algum momento. NĂ£o parecia uma estratĂ©gia honrada, mas era eficaz.

A plateia ficou estupefata com o que aconteceu a seguir. Enquanto o general fazia esforço para atĂ© mesmo piscar os olhos, Eciel foi coberto por uma aura vermelha. Sua roupa, atĂ© entĂ£o branca, ficou preta. Olhos e cabelos vermelhos. Agora, sim, se assemelhava Ă  figura que aparecia nos sonhos da dama de fogo. Teve certeza de que era ele.

A aura desapareceu, mas Eciel permaneceu em sua nova forma. Outra revelaĂ§Ă£o em seguida. A voz do desafiante reverberava pela arena. “Ouçam todos. Chamo-me Rujick Fanyc, filho de Otto. Alguns de vocĂªs me conhecem por Vermelho. E neste momento sentencio Evard, general da OrganizaĂ§Ă£o, a perder todo seu prestĂ­gio e poderes”.

A arquibancada respondia com silĂªncio. AtĂ© mesmo as vozes dos narradores se calaram. Os capas-brancas, soldados da OrganizaĂ§Ă£o que faziam a segurança do torneio moviam-se nervosamente entre o pĂºblico, tentando chegar ao centro da arena.

Em questĂ£o de milissegundos Vermelho se materializou diante de Evard. A mĂ£o direita sobre a cabeça do general. Forte luz. O cabelo grisalho ficou preto. O corpo perdeu os mĂºsculos visĂ­veis e tomou feições esquelĂ©ticas. Os olhos foram substituĂ­dos por dois buracos.

Evard nĂ£o fora simplesmente derrotado, mas sim destruĂ­do. Os capas-brancas alcançaram os combatentes. Espadas, armas de fogo e lanças apontadas para Vermelho. Laura sentiu fluir a mesma energia monstruosa que tomou conta do saguĂ£o de inscrições do torneio dias atrĂ¡s.

Os soldados nĂ£o conseguiam se mover. NinguĂ©m se mexia. Os olhos de Vermelho pareciam arder. E entĂ£o ele sumiu. Nenhum rastro de energia. Todos ainda estupefatos com o que acabaram de presenciar. Os capas-brancas estavam perdidos, nĂ£o sabiam como e onde procura-lo.

Mas Laura tinha uma pista do que fazer. Iria atrĂ¡s do homem. Queria, de uma vez por todas, descobrir o que seus sonhos significavam e o que deveria fazer.

Este post faz parte do projeto "Contos de Naroly", com atualizações semanais. Siga o autor no Wattpad

sĂ¡bado, 6 de outubro de 2018

Quebrando o gelo


Levou algumas semanas atĂ© que o Torneio MĂ­stico de fato chegasse Ă  fase principal. Laura perdeu as contas de quantos combatentes derrubou nas qualificatĂ³rias. Nenhum deles era quem procurava, no entanto.

Na fase regular, nenhum dos lutadores chamou atenĂ§Ă£o da dama do fogo. Era visĂ­vel seu desinteresse pelas lutas. Pisava na arena, cumprimentava o adversĂ¡rio e em segundos voltava a sair.

Da primeira vez que participou do torneio fez questĂ£o de saborear cada luta. Estudar os adversĂ¡rios. Encarava tudo como um grandioso show, Ă  Ă©poca. A segunda competiĂ§Ă£o era diferente. O pĂºblico delirava quando a campeĂ£ pisava na arena. Os gritos aumentavam cada vez que ela nocauteava um lutador.

Havia algum candidato pĂ¡reo para Laura, a poderosa dama do fogo? Ela nem mesmo tinha usado de suas chamas que a consagraram. A jovem parecia ainda mais forte, aos olhos do pĂºblico. “A dama do fogo nĂ£o quer perder tempo em busca de seu segundo tĂ­tulo”, dizia a voz de um dos narradores, que ecoava pela arena.

EntĂ£o chegou a semifinal. Apenas uma luta separava a jovem do confronto com aquele que ela acreditava ser a figura presente em seus sonhos. Nem procurava mais saber quem eram seus adversĂ¡rios, tamanha era a concentraĂ§Ă£o que tinha na grande luta.

Saiu do vestiĂ¡rio. Caminhou lentamente atĂ© o centro da arena. Enquanto andava, decidiu aproveitar ao menos aquele combate, e acenou para a plateia. “A dama de fogo parece aquecida hoje”, disparou um comentarista, fazendo o pĂºblico gargalhar com o trocadilho. Laura tambĂ©m riu.

“Definitivamente vai ser um confronto histĂ³rico. De um lado tempos a campeĂ£ da ediĂ§Ă£o passada, um verdadeiro prodĂ­gio. Do outro, vemos um desafiante que teve lutas extremamente rĂ¡pidas, se Ă© que podemos chamar isso de luta”, declarou um narrador.

“NĂ£o Ă© como se a campeĂ£ tivesse se estendido em seus combates tambĂ©m. Tudo indica que haverĂ¡ um confronto equilibrado”, complementou outro apresentador.

Como assim um confronto equilibrado? Quem era o desafiante que se colocava no caminho entre Laura e o combatente misterioso? Ficou curiosa e acelerou o ritmo da caminhada até o palco da luta.
Subiu os degraus do centro da arena. Avistou uma figura vindo do outro lado. Era seu adversĂ¡rio. Claramente o combatente que viu diversas vezes em seus sonhos. Ironia enfrenta-lo em uma semifinal? Certamente, concluiu.

“Espero que seja desafio suficiente pra mim”, disparou a loira. NĂ£o sabia de onde vieram aquelas palavras, mas gostou de como soaram. O desafiante nĂ£o disse nada. Olhou para Laura, como se nĂ£o acreditasse no que acabara de ouvir.

Pela primeira vez ela viu os olhos de seu adversĂ¡rio. Castanhos, tal qual o cabelo do indivĂ­duo. Alguma coisa nĂ£o estava certa, pensou. Era como se os cabelos e olhos do rapaz nĂ£o fossem naturais.
NĂ£o teve tempo de pensar mais sobre o assunto. Assim que o Ă¡rbitro autorizou, o combatente fez o primeiro movimento. Uma investida rĂ¡pida e direta. NĂ£o havia sequer movido os punhos. NĂ£o que Laura tivesse visto.

Ela sentiu frio. Como nunca havia sentido antes. Seria o poder do desafiante? NĂ£o arriscou subestima-lo novamente. Em segundos o corpo de Laura foi encoberto por magma ardente. Quem olhava de longe via o que parecia ser um enorme pedaço de brasa.

“As coisas começaram a esquentar”, declarou um dos narradores. A dama do fogo sequer ouviu o trocadilho. Focou seu olhar Ă  frente, no lutador que enfrentava. ApĂ³s a primeira investida ele voltou Ă  posiĂ§Ă£o inicial e ficou imĂ³vel.

Apesar do fogo que lhe protegia, Laura ainda sentia frio. Reparou que a mĂ£o esquerda estava congelando. Era o Ăºnico lugar que o magma nĂ£o cobriu. NĂ£o poderia ser atingida novamente, pensou.

Investiu contra o adversĂ¡rio. Uma pequena chama se fez em sua mĂ£o direita e foi disparada em direĂ§Ă£o ao lutador. TĂ£o rĂ¡pido que olhares menos atentos nĂ£o faziam ideia do que houve. O combatente permaneceu imĂ³vel. Era como se nĂ£o tivesse sido atingido.

Laura enfureceu-se. Sentia-se humilhada. Como aquele homem ousava fazer pouco caso da dama do fogo? Continuava ardendo, e o magma deixava de ter a silhueta da moça para crescer.

O fogo tomou a forma de um ser enorme, bĂ­pede. A figura tinha feições femininas e empunhava escudo e espada, feitos da mais pura chama. O Ă¡rbitro se afastou da arena. O pĂºblico, nas arquibancadas, sentiu um enorme desconforto por conta da temperatura. Tudo aconteceu enquanto Laura corria em direĂ§Ă£o ao adversĂ¡rio.

Reparou na expressĂ£o do homem. O rosto mantinha a mesma feiĂ§Ă£o de quando ele pisou na arena. Pareceu nĂ£o ter se impressionado com o aparente poder da dama do fogo.

Ele começou a se mover, lentamente. Laura desferiu um soco. Comandava a monstruosidade de fogo que a protegia. A espada chamuscante transformou-se em uma mĂ£o ardente, que foi em direĂ§Ă£o ao lutador.

O rapaz desapareceu. Como? Foi tĂ£o rĂ¡pido que ninguĂ©m conseguiu ver. Ou quase. Acostumadas ao show do rapaz, duas figuras que estavam nas arquibancadas assistiam a luta, mas nĂ£o pareciam nada surpresas com o desenrolar do combate.

Frio. Laura sentiu frio mais uma vez. As chamas que a protegiam segundos atrĂ¡s desapareceram mais rĂ¡pido do que surgiram. A dama do fogo sentiu o calor deixar seu corpo. NĂ£o conseguia se mexer. Uma camada azul tomou conta da jovem.

Era claramente visĂ­vel a quem estava nas arquibancadas. Laura estava congelada. Ela sentia muito frio. De alguma forma, estava consciente, mesmo que um bloco de gelo tenha se formado ao redor de seu corpo.

Conseguiria derreter? Buscou em seu interior a força necessĂ¡ria para soltar-se, quebrar o gelo. O Ă¡rbitro ensaiava voltar ao palco da luta e declarar o desafiante como vencedor quando o coraĂ§Ă£o da moça explodiu em chamas.

O gelo transformou-se em vapor, tamanha era a temperatura emanando de Laura. Estava diferente. Nenhum magma cobria seu corpo. Laura sentia como se fosse o prĂ³prio fogo. O pĂºblico delirou com seu retorno triunfante. Mas isso nĂ£o impressionou o lutador.

“Acredite em mim, nĂ£o Ă© nada pessoal”, ela ouviu dos lĂ¡bios do adversĂ¡rio. Quando se aproximou tanto dela? A voz era a mesma que ouviu em seus sonhos. Laura teve certeza de que era ele.

Conseguiu sentir o toque do adversĂ¡rio na pele. Por pouco tempo. Ele se posicionou Ă  frente da dama do fogo e a golpeou no peito esquerdo. Era como se sua mĂ£o tivesse atingido o coraĂ§Ă£o de Laura.

Frio. Mais uma vez. O gelo estava agora nas veias da moça. Sentia o coraĂ§Ă£o bater cada vez menos. A consciĂªncia começou a se esvair. “A propĂ³sito, vocĂª sequer perguntou meu nome. Me chamam de Vermelho”, disse o adversĂ¡rio, enquanto o mundo da mulher escurecia.

Este post faz parte do projeto "Contos de Naroly", com atualizações semanais. Siga o autor no Wattpad

sĂ¡bado, 29 de setembro de 2018

Encontro



Laura nĂ£o sabia por onde começar sua busca. Encontrar o garoto de cabelo carmesim, avaliava, seria tarefa difĂ­cil. O sonho a atormentava todas as noites. E nunca conseguia ver com clareza o rosto do rapaz.

Decidiu que sairia do Distrito 16. Para onde? NĂ£o sabia. Mas havia pensado em conseguir dinheiro para a busca. NĂ£o seria fĂ¡cil, afinal, manter-se durante uma jornada que poderia levar sabe-se lĂ¡ quanto tempo. Seu primeiro plano era participar do Torneio MĂ­stico.

A competiĂ§Ă£o colocava dezenas de magos e guerreiros lutando em batalhas de um contra um, atĂ© que apenas o mais forte restasse e levasse o prĂªmio principal, com uma generosa quantia de bits e um trofĂ©u, alĂ©m do tĂ­tulo de campeĂ£o atĂ© a prĂ³xima ediĂ§Ă£o do torneio, que seria em cinco anos.
Saiu de casa no primeiro horĂ¡rio. O sol ainda nĂ£o dera as caras, mas em breve apareceria para ressaltar o cinza de todas as construções do distrito. Acelerou os passos. Queria chegar rĂ¡pido ao guichĂª mais prĂ³ximo para se inscrever.

No caminho nĂ£o conseguia parar de pensar no rapaz que vira em seus sonhos e na loucura eu estava vivendo. Como iria colocar a prĂ³pria vida em risco por alguĂ©m que nĂ£o conhecia? Se consultasse os amigos, provavelmente eles diriam que Laura enlouqueceu de vez.

“EntĂ£o vai tentar manter o tĂ­tulo de campeĂ£, hein?”. O sorriso malicioso e amarelado do atendente poderia ser visto de longe. As rugas apontavam sua idade, pouco mais de 300 anos. E ele ainda se lembrava do dia em que Laura sagrou-se como campeĂ£ e ganhou o tĂ­tulo de dama do fogo.

Apesar de nutrir certa simpatia pelo atendente, ela estava perdida em seus pensamentos. Murmurou algo, mas nĂ£o teve certeza do que era. Apresentou os documentos e finalizou a inscriĂ§Ă£o. Levou mais tempo para ir ao guichĂª do que para confirmar mais uma participaĂ§Ă£o.

Sentiu que alguns olhares se voltaram a ela. NĂ£o era de se estranhar. A jovem era tida por muitos como garota prodĂ­gio. Ficou conhecida em todos os distritos ao derrotar um general que foi campeĂ£o do torneio por quatro edições consecutivas.

Ainda lembrava-se do rosto dele. Um homem com dĂ©cadas de experiĂªncia, ocupando alto cargo na OrganizaĂ§Ă£o, a maior corporaĂ§Ă£o paramilitar do mundo, e que caiu diante de sua força. PatĂ©tico. Havia atĂ© mesmo se esquecido do nome do indivĂ­duo.

A dama do fogo ficou parada, perdida em suas memĂ³rias. NĂ£o fazia ideia de quanto tempo ficara no local de inscrições. Ao seu redor formava-se uma multidĂ£o. Todos, Ă© claro, querendo participar do Torneio MĂ­stico.

Enquanto alguns estranhavam ver a campeĂ£ atual parada, outros acreditavam que aquilo era algum tipo de estratĂ©gia, que a dama do fogo estava sentindo a aura de força dos competidores, avaliando e procurando alguĂ©m que pudesse ser um desafio. ArrogĂ¢ncia natural de vencedora, diziam alguns. Deve perder nas qualificatĂ³rias, murmuravam outros.

Nada daquilo era ouvido por Laura. Em dado momento ela teve um estalo. Lembrou-se que apĂ³s vencer o torneio anterior fora entrevistada e mandou um recado a todos. Caso ganhasse novamente, poderia mandar uma mensagem ao combatente carmesim. Certamente ele veria.

Enquanto ouvia vozes e mais vozes ao seu redor, a dama do fogo começou a se mover. O saguĂ£o onde ficam os guichĂªs de inscriĂ§Ă£o ficou lotado. Milhares de competidores, ou aspirantes a competidores, se misturavam. Podia sentir a energia fluindo dos futuros combatentes.

Enquanto andava, Laura sentiu um desconforto. Era como se algo ou alguĂ©m tivesse perturbado o equilĂ­brio energĂ©tico do local. Seria a Ăºnica sentindo isso? Olhou em volta e percebeu que nĂ£o, pois os outros presentes demonstrava expressões de dor.

Tentou aguçar os sentidos, encontrar a fonte do distĂºrbio. Fechou os olhos, concentrou-se. Vinha da ala leste e estava se movendo. A aura era de um monstro, sentiu a dama do fogo. Ao lado do misterioso indivĂ­duo andavam outras duas pessoas, com fortes auras energĂ©ticas tambĂ©m. PorĂ©m eram quase nulas comparadas Ă s dele.

De repente, a energia cessou. A dama do fogo sentiu uma pressĂ£o enorme deixar seu corpo. Os outros presentes tinham rostos aliviados, com expressões leves. Claramente o monstro suprimira sua aura. De que forma? Aquilo era realmente possĂ­vel? Ou alguĂ©m dera cabo do ser misterioso?

Intrigada, Laura teve uma ideia. Rastrear os acompanhantes do indivíduo. Ainda se movimentavam pela ala leste, porém a aura que estava entre eles agora era comum. Decidiu investigar.

NĂ£o tentou ser furtiva, pois era impossĂ­vel ter passagem livre em meio Ă  multidĂ£o. Imaginou que, de qualquer forma, nĂ£o seria percebida pelo trio. Tentou senti-los novamente. Continuavam em movimento.

Demorou atĂ© que chegasse aos suspeitos. Identificou uma das trĂªs figuras. Era uma mulher de estatura mediana, cabelos escuros como a noite. Estava toda de preto, dos pĂ©s ao pescoço. Ao lado dela um homem de cabelo prateado, tambĂ©m de estatura mediana e trajado com roupas pretas.
NĂ£o conseguiu encontrar o dono da aura monstruosa. Estava prestes a se convencer que fora um pequeno delĂ­rio quando viu ele. Alto. Vestia uma jaqueta de couro, preta. A calça, jeans, do mesmo tom. Calçava um coturno tambĂ©m preto.

O cabelo era castanho, mas lhe parecia familiar. O corte, o penteado. Lembrava alguĂ©m. O rosto nĂ£o era estranho a Laura. Quanto mais se aproximava, mais tinha certeza de que o conhecia.
“NĂ£o pode ser”, pensou. Devia estar enganada. Seria ele? O combatente que aparecia em seus sonhos. Aquele por quem Laura se vira tantas vezes jurando proteger durante seus devaneios? Todas as caracterĂ­sticas fĂ­sicas batiam. Exceto a principal. O cabelo era castanho. Os sonhos a enganaram? NĂ£o. Sem dĂºvidas era ele.

O homem olhou para trĂ¡s, parecia estar procurando algo, alguĂ©m. Laura se escondeu. Como se aproximar? Deveria insistir na loucura? Eram tantas dĂºvidas que mal conseguia pensar. PorĂ©m uma certeza ela tinha. Se o que acontecera momentos antes foi real, os dois invariavelmente se cruzariam durante o torneio.

Este post faz parte do projeto "Contos de Naroly", com atualizações semanais. Siga o autor no Wattpad

sĂ¡bado, 22 de setembro de 2018

Cabelo carmesim


A vida de Laura no Distrito 16 nĂ£o era tĂ£o ruim. MercenĂ¡rios, homens da lei, quem quer que fosse respeitava a dama do fogo, como era conhecida. No auge de seus 20 anos havia defendido muitas causas que nĂ£o a sua. E a qual causa ela pertenceria?

ApĂ³s tantas batalhas, Laura nĂ£o fazia ideia do que defendia ou deveria defender. Pelo que lutar? Por qual motivo entregar sua vida?

Eram pensamentos que passavam pela mente da jovem enquanto vagueava pelas ruas centrais do distrito. Ironicamente passava pelo beco dos desolados enquanto refletia sobre a vida. Os prĂ©dios, de cor Ăºnica, cinza, contribuĂ­am para a paisagem obscura, dentro e fora de sua cabeça.

Os pedestres, pedintes e mercadoras que passavam por perto nĂ£o pareciam emitir som algum. Laura estava concentrada. Mas em quĂª? Focada em se focar? Estava perdida. NĂ£o sabia, entanto, se jĂ¡ teve algum rumo para seguir, ou se teria.

Chegou em casa. Os cĂ´modos, vazios. Tanto quanto sua vida, avaliou. Deixou a sacola de compras jogada em algum canto e foi direto para o quarto, onde estava o Ăºnico mĂ³vel da pequena residĂªncia, uma cama surrada, tambĂ©m cinza.

NĂ£o chegou a pensar em mais nada. A dama do fogo deitou em meio Ă s cinzas de seu leito e deixou sua consciĂªncia levar-se pela leve brisa que entrava atravĂ©s da janela. Quando deu por si, percebeu sua prĂ³pria figura em meio a um deserto, nĂ£o sabia precisar em qual regiĂ£o do planeta.

Seria alguma loucura? Para onde o mundo dos sonhos a levara desta vez? Nem dormindo Laura tinha paz. Sentia sede. NĂ£o de Ă¡gua. Sentia fome. NĂ£o de comida. Faltava algo em sua vida, e nem mesmo ela sabia dizer o que.

De repente o deserto, quente e seco, começou a mudar de figura. Vento. Areia voando por todos os lados. Os cabelos louros de Laura seguindo a direĂ§Ă£o da ventania. No horizonte apareceram duas silhuetas, duelando.

DifĂ­cil distinguir quem ou o que eram. Um deles, alto, estava claramente sendo vencido pelo outro, baixo. Laura sentiu vontade de intervir. De lutar. Proteger aquele que era derrotado ao longe. Mas como? Por qual motivo? NĂ£o sabia.

O combate parecia ser intenso, tanto quanto a ventania que tentava incessantemente mover a dama do fogo. Ela permanecia inerte, sem reaĂ§Ă£o. A luta cessara. Um dos duelistas deixava o campo de combate, triunfante e caminhando para um lugar ainda mais distante do que onde se encontrava.

O outro, a figura mais alta vislumbrada pela dama do fogo, permanecia no chĂ£o. A ventania aos poucos perdia força, se transformando em pequenas correntes de ar que passavam por Laura e traziam um som. Era a voz de um homem.

Estava gritando por socorro? Resmungando por ter perdido a luta? NĂ£o. Chamava por Laura. Pedia para que ela o alcançasse. Que fizesse algo. O vingasse. A dama do fogo sentiu o corpo arder, como hĂ¡ muito nĂ£o ocorria.

Inflamada, Laura correu em direĂ§Ă£o ao combatente derrotado. O vitorioso sumira hĂ¡ tempos no horizonte. A figura do homem caĂ­do deixava de ser uma silhueta e  ganhava forma palpĂ¡vel. Um rapaz. TĂ£o jovem quanto a dama do fogo, seu fĂ­sico aparentava. Ela nĂ£o conseguia ver seu rosto claramente.

Além do corpo, era claramente visível o cabelo carmesim do rapaz. Estava ofegante, a princípio. A chegada de Laura trouxe calmaria. Para ele, ela e o deserto. Até mesmo as leves correntes de ar pararam.

"NĂ£o vou cumprir minha promessa hoje, fagulha", disse o ruivo. Aquelas palavras soavam tĂ£o familiares. Onde a dama do fogo havia ouvido essa frase antes? E quanto Ă  voz? Que doce voz ecoava daqueles lĂ¡bios.

Quando percebeu, estava respondendo ao duelista caĂ­do. "VerĂ¡s o sol nascer outro dia, Vermelho". EntĂ£o este era seu nome? Como sabia? SerĂ¡ que sabia? Eram tantas perguntas, e nenhuma resposta.

Laura se ajoelhou. Acolheu a cabeça do combatente de cabelo carmesim em seu colo. Sentia uma enorme vontade de protegĂª-lo. Um Ă­mpeto de se vingar de quem lhe ferira. AliĂ¡s, onde estavam os ferimentos do jovem? Eram fĂ­sicos? Na alma? Mais uma vez surgia outro turbilhĂ£o de perguntas sem resposta.

O deserto, atĂ© entĂ£o claro, começou a escurecer. A figura do duelista carmesim começara a sumir. A dama do fogo tentou segurĂ¡-lo, impedir que desaparecesse. Em vĂ£o. A ventania teve inĂ­cio novamente. Trazia um pedido de socorro aos ouvidos da moça.

O despertador tocou. Laura olhou para o teto, cinza. O sonho, intenso, trouxe um pouco de cor a sua vida. Mais do que isso, um propĂ³sito. Talvez nĂ£o fosse a primeira vez que o rapaz de cabelo carmesim aparecera em seus sonhos, e talvez nĂ£o fosse a Ăºltima.

Estava decidido. A dama do fogo iria procurar pelo combatente ruivo. A chama em seu coraĂ§Ă£o ardia, como hĂ¡ muito jĂ¡ fez. Estava decidida. Finalmente tinha um propĂ³sito.Encontrar e proteger o frĂ¡gil rapaz. Sentir a calmaria em seu coraĂ§Ă£o mais uma vez.

Este conto faz parte do projeto "Contos de Naroly", com atualizações semanais. Siga o autor no Wattpad

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Super Mario Flashback | Suave como uma brisa refrescante no verĂ£o

Quando hĂ¡ fangame e Nintendo na mesma frase, geralmente podemos esperar algumas coisas. Em raras ocasiões trata-se de um jogo bem feito, mas produzido por fĂ£s, que naturalmente nĂ£o tem o direito sobre a propriedade intelectual que estĂ£o usando. É o caso de PokĂ©mon Prism, uma hack rom de PokĂ©mon que tomou proporções assustadoras e acabou levando um belĂ­ssimo de um strike - mas posteriormente foi concluĂ­da e publicada por alguĂ©m do reddit. Ou de Another Metroid 2 Remake, outro fangame que foi derrubado pela Nintendo.

SĂ£o sĂ³ alguns exemplos de jogos que pareciam ser muito promissores e caprichados, mas invariavelmente foram varridos do mapa. NĂ£o que a Nintendo esteja errada, longe disso. Odiaria caso alguĂ©m copiasse de forma integral - ou parcial - os textos que produzo e replicasse por aĂ­.

De qualquer forma, mais um fangame tem ganho espaço recentemente na internet, e desta vez do carro chefe da empresa, o personagem mais conhecido dos games, Mario Mario. O jogo em produĂ§Ă£o chama-se Super Mario Flashback, desenvolvido pelo Team Flashback.

Ele estĂ¡ em produĂ§Ă£o hĂ¡ uns bons anos, e em agosto uma demo pĂºblica do projeto foi liberada. Com grĂ¡ficos estilizados e uma trilha sonora sensacional, Super Mario Flashback Ă© o que muitos fangames da franquia gostariam de ser, sem dĂºvida alguma.

Apesar de ser o visual que atrai, a jogabilidade e a trilha sonora do jogo sĂ£o quem conquistam e fidelizam o jogador. Conheci a demo de Super Mario Flashback hĂ¡ alguns dias e, antes de gastar qualquer mega da minha franquia de dados, assisti alguns vĂ­deos.

Por esses vĂ­deos a jogabilidade parecia ser muito suave, e de fato Ă©. Os controle sĂ£o fluĂ­dos, bem responsivos, e as poucas fases disponĂ­veis sĂ£o muito bem construĂ­das.

Se vocĂª se interessou pelo jogo, pode ficar por dentro das novidades seguindo no Twitter o perfil @marioflashback. A demo jogĂ¡vel de Super Mario Flashback pode ser baixada clicando aqui.



Pesquisar este blog

Tecnologia do Blogger.

PĂ¡ginas

Posts Populares